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11 fevereiro 2011

Balé soteropolitano à Flor da Pele



Está em cartaz, no Sesc Vila Mariana, a Companhia de Dança soteropolitana Balé Teatro Castro Alves. O espetáculo aposta no despertar da sensibilidade e revela processos de mudança pelos quais homens e mulheres passam durante a vida.

Fui ontem assistir “À Flor da Pele” e encontrei um teatro com muitos lugares vazios, que mereciam estar preenchidos. Foi muito bom.

No início do espetáculo acontece uma interação com o público. Minha mãe recebeu um abraço de um bailarino, enquanto o Vinicius tinha seus chinelos Havaianas levados para o palco, sob a frase “empresta-me teus pés e te devolvo no fim do espetáculo.”

Na uma hora e vinte minutos de dança, muito movimento, expressão, respiração e entrega. Chuva de areia, ilusão de ótica, sustos e risadas.

Ainda dá tempo. Hoje tem de novo À Flor da Pele, às 21h.
Sábado, às 21h e domingo, às 18h, da mesma Companhia, A Quem Possa Interessar.


“À FLOR DA PELE” – Coreografia Ismael Ivo, direção artística Jorge Vermelho. O espetáculo tem como proposta utilizar o corpo como um passaporte e como um documento do tempo atual, identificador de momentos importantes de mudanças. Qual o fato ou situação na vida de cada um, onde você se depara num beco sem saída? Qual o evento mais marcante onde a vida de cada um dá uma guinada? Para o bem ou mal, somos forçados a rever coisas, mudar, transformar, fazer metamorfoses. O que faz você ser o que você é está escrito no seu corpo. Um corpo que em face de reconhecer sua existência e condição mortal usa a arte da dança para deixar uma mensagem e dança uma batalha para deixar marcas profundas.

“A QUEM POSSA INTERESSAR” – Coreografia Henrique Rodovalho, direção artística Quasar Cia de Dança, de Goiás. O espetáculo foi construído a partir de um trabalho coletivo em que os próprios bailarinos foram incitados a resgatar suas trajetórias e experiências, sobre o bem estar, o prazer e a alegria, elementos que devemos apreciar e sentir aqui e agora.

Serviço: Sesc Vila Mariana - Rua Pelotas, 141 – Estacionamento no local
Telefone: 11 5080-3000
Os ingressos custam R$ 24, (inteira), R$ 12, (usuário matriculado no SESC e dependentes, idosos e professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante) e R$ 6, (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).

09 fevereiro 2011

Entre os muros da academia

Um dos principais desafios do governo é o de tampar o fosso entre universidades e indústria



Os números da pesquisa científica nacional surpreendem. Entre 2000 e 2009, o volume de publicações aumentou 205%, atingindo o montante de 32 mil artigos
indexados no National Science Indicators (NSI) Thomson Reuters. Em 2008, o
País assumiu a 13ª colocação no ranking NSI, ficando à frente de potências
em ciência e tecnologia, como Rússia e Holanda, tornando-se responsável por
2,69% da produção científica mundial.
Ainda assim, há um consenso sobre a falta de diálogo entre a indústria e a
universidade e essa lacuna deve se colocar como um dos principais desafios do
governo atual, no que tange à educação. Não se trata apenas de investimentos, mas
de direcionar acordos entre atores com diferentes perspectivas. Para o pró-reitor de
Pós-graduação da UFABC, Carlos Kamiesnki, já existe uma compreensão no meio
acadêmico, político e empresarial de que o Brasil precisa acelerar o processo de
transmissão de conhecimento para o setor produtivo a fim de gerar inovação.
Ainda em 2010, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq), anunciou o incremento de mais duas mil bolsas de formação. No total, são
cerca de 93 mil bolsas, apoiando desde a iniciação científica até pesquisadores
altamente qualificados. “O aumento no número de bolsas é significativo e as
agências de fomento privilegiam propostas de parcerias com o setor produtivo.
Mas um avanço real deve ser alcançado a partir da implantação das diretrizes para
políticas públicas que estão sendo colocadas no Plano Nacional de Pós-Graduação
(PNPG) 2011-2020 e no Livro Azul da 4ª Conferência Nacional de Ciência
Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável”, analisa Kamienski.
Dentro da universidade, o pedido da indústria, de estimular a cultura da inovação
para criar competitividade, começa a ganhar espaço e forma. A UFABC acaba de
criar o Núcleo de Inovação Tecnológica, com foco no desenvolvimento de projetos
de inovação tecnológica e científica.
Para o pró-reitor de pesquisa da UFABC, Klaus Capelle, outro fator determinante
para a aproximação dessas duas esferas sociais foi a criação das leis do Bem
e de Inovação, mas ainda existem desafios a serem superados no campo legal.
“Essas leis tem facilitado atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação no
Brasil, mas ainda há muitos entraves burocráticos. Por exemplo, a importação de
equipamentos e insumos para pesquisa precisa ser facilitada.”

Esse texto compõe a matéria de capa da INOVABCD de fevereiro. Para ler a matéria clique aqui

03 fevereiro 2011

Egito: lições da história Persa

O Ditador do Egito, Mubarak, aprendeu com a história

A prova de proficiência em língua estrangeira, aplicada hoje aos alunos que concorrem a uma vaga no curso de pós-graduação da EACH-USP, pediu aos candidatos que traduzissem um texto sobre a situação do Egito hoje e as experiências da Europa ontem.

Em busca do texto e de verificar o potencial do meu espanhol, percebi que fiz uma boa tradução, mas esqueci de traduzir o título. Ai, que merda. Porém, como meus erros são ínfimos perto da gravidade da situação do Egito, decidi traduzir o texto de novo, para compartilhar esse novo e bem vindo conhecimento.

JAVIER MARTÍN - Egipto: Lecciones de historia persa, do El Pais
No final de 1979, uma constelação de grupos diversos tomou as ruas do Irã aos gritos de "liberdade" e "Morte ao ditador". Reunidos em torno de uma ligação única – o Indigesto - representavam todo o espectro da sociedade: ombro a ombro marcharam comunistas, socialistas, democratas, sindicalistas, intelectuais, moderados e radicais islâmicos ... Todos igualmente cansados da arbitrariedade de um rei que, sob uma fino verniz de democracia, desperdiçou o tesouro nacional, alheio às misérias e preocupações de seu povo, mantendo um serviço de inteligência brutal e repressivo. Mas, para além do ódio comum, cada grupo possuía uma esperança diferente sobre o futuro. Abençoado pelo Ocidente, o protesto cresceu e o rei assustado, abandonado até mesmo pelos seu poderoso Exército, empilhou em baús sua fortuna, ligou o ar condicionado de seu luxuoso avião e, acompanhado por seus amigos mais próximos, partiu para o exílio no Egito.

Trinta e dois anos mais tarde, as ruas da cidade onde o mal fadado Sha descança em paz, fervem com os ecos de um passado que não está tão longe. Estimulado pelo vôo recente para a Tunísia, de outro ditador com pele democrata, centenas de milhares de egípcios lotam praças e ruas exigindo o fim da ditadura de Hosni Mubarak, à data "aceita" pelo Ocidente. Como naquele ontem ainda próximo, socialistas, sindicalistas, apolíticos, democratas, intelectuais, laicos e religiosos radicais e moderados, uniram-se em um objetivo comum: a queda do ditador, que os empobreceu, confiante na sua posição de "aliado indispensável" para a segurança na região.

Este hoje e o ontem são diferentes. O Egito, que arde no amanhecer do século XXI não é Irã dos últimos suspiros do século passado. Nem a diversidade cultural, histórica e religiosa é comparável, embora ambas sejam nações muçulmanas. Mesmo a situação internacional é outra. A cortina de ferro desapareceu e os atores globais fazem parte de outra tragicomédia. Mas vale a pena recordar a passagem e os resultados da revolução iraniana antes de deixar os fantasmas no passado. Como, então, os islamitas, melhor estruturados, decidiram lutar no pano de fundo. A Irmandade Muçulmana, tradicionalmente a mais importante força de oposição, ficou por trás da imagem "amável” de Mohamad Baradai, Prêmio Nobel da Paz e um homem de prestígio internacional. É verdade, que no Irã é agora considerada uma figura emblemática o aiatolá Ruhollah Khomeini, que revigorou e, eventualmente, aproveitou o protesto, mas a princípio os iranianos religiosos também lhe deram seu papel. Na transição, e as costas aclamado clérigo em Teerã, a tarefa de formar o primeiro governo revolucionário coube a um leigo, Mehdi Bazargan, candidato de Jomeini contra as ambições do ex-primeiro-ministro Sha, Shapour Bakhtiar. Apenas sete meses depois, com os islamistas escalando para todos os ramos do Estado, Bazargan renunciou e passou o poder a um Comitê Revolucionário, que prontamente estabeleceu o atual regime teocrático.

A história nunca se repete, mas ao longo dos séculos encontramos patrões semelhantes. Mubarak, que viu a barba de seu vizinho cair, no terremoto político da Tunísia, parece ter-se preparado para resposta: a indicação de Omar Suleiman como vice-presidente, cargo vago desde que Mubarak o deixou em 1981 para tomar o poder. O ex-chefe dos serviços secretos é um homem de prestígio no seio das forças de segurança e do exército, capaz de controlar e evitar a deserção que precipitou tanto o colapso de Sha e a fuga de Ben Ali, e garantir estabilidade rápida ansiada pelo Ocidente, em uma área de alto valor estratégico. Também para o poderoso vizinho Israel, que o conhece bem. Não por acaso ele era o enviado especial do presidente egípcio para assuntos palestinos. Além disso, há mais de cinco anos saindo do anonimato, pesou-se várias vezes em Suleiman como eventual sucessor. Hoje, apenas ensombrado pela aspiração do filho de Mubarak, Gamal.

Para resolver a equação, precisamos saber se as pessoas estão dispostas a aceitar a transferência de poder para Suleiman e quanto o povo está disposto a resistir nas ruas. E também, qual o caminho que escolhem os islamitas. Se, como diz o líder tunisino Rashid Ghanuchi "Eu não sou Khomeini”, for favorecido um aspecto mais abrangente, semelhante ao encontrado na Turquia. Não há dúvida de que, em um processo democrático com todas as garantias, a melhor estrutura iria recompensá-lo com o apoio popular suficiente para a imposição de algumas de suas condições, como no Líbano com o grupo xiita Hezbollah. É também um teste para os EUA e Europa, que aspiram a não repetir os erros, os governos devem aceitar a influência islâmica ... Se essa for a vontade dos povos árabes nas