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25 janeiro 2012

Expedição Chapada - Expulsos da estrada, enviados para o Paraíso - Cumuruxatiba


Por Joana Latinoamericana

O diagnóstico do mecânico foi cruel, muitos reais e já se vão oito dias para recuperar o estrago no motor. Difícil manter a calma, mas tem outro jeito? A seguradora queria levar a gente de volta pra São Paulo, mas a gente negociou uma carona até Cumuruxatiba. E por lá ficou, muito bem, obrigada! Agora, de volta a Itamaraju, estamos no aguardo dos últimos parafusos para partir.

Queria postar fotos e vídeos, mas a net daqui não permite muitas peripércias, isso fica pra mais tarde! Por enquanto, tem uma pitadinha no facebook, que carrega mais fácil.

De Cumuruxatiba - As Marés

O jogo aberto sob a mesa avalia. O desgaste e a aceleração de saída levaram ao instante da exaustão. Apesar disso, há que se celebrar, dançando pela chuva, por mais que o lado bom seja bom de mais pra ser e menos aparente do que se vê.

A viagem continua sem ter estabelecida seu ponto final. Revista, reorganizada e vivida de forma surpreendente. Chacoalhada por um relâmpigo que passou por nós, desligando motores e desmagnetizando telefones.

Deixamos o carro no planalto de Itamaraju e chegamos à Cumuruxatiba. Puxados por mares, verdes mares, onde refletem planetas nas noites de estrelas, no sobe e desce profundo das marés.

No Rio do Peixe Pequeno encontramos Silvana e Osiris, com sua cabanas cercadas por jardins floridos, na beira-mar,onde se pode receber uma lagosta ou um peixe fresco.

Nos jogamos, deixando os pingos da chuva molhar, sem ter que pensar se deve-se soltar mãos ou pés primeiro.

Pedalando, encontramos Paulo, na entrada para as Japaras, com água gelada e indicação de boa praia. Nas areias da Japara Mirim, temperadas por falésias e pelo rio Dois Irmãos, nascem tartarugas ajudadas por boas mãos de meninos e meninas.

Na volta, na maré alta, pela areia só empurrando a magrela. Compensam os seis quilômetros a menos que pela estrada de chão.

Chegando pelas praias, antes do centro, na Bica, tem o Gato que Ri e sua marca, o Boni. José Bonifácio da Silva. Cara de índio, mão de metalúrgico, companheiro de Lula. Na mesa de seu bar a conversa começa com galo cubano e Luis Carlos Prestes, e termina em projeto político, a redenção à Cumuru e a uma outra vida vivida. Mar é mar.

E na volta, na estrada escura, encontrar o Seo Antônio, com lanterna em mãos, iluminando a estrada e falando de seu amor de filho. Quando diz a ela que é amor maior, diz amo mamãe.

Chegamos sem querer, partimos sem querer, voltamos pra estrada, por outros caminhos, mas com destino à Chapada.

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2 comentários:

  1. Lindo texto, mas estou sentindo uma certa melancolia. Força aí. Mãe

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