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20 dezembro 2010

A verdade não morre – Femi Kuti

Dançar, dançar, dançar, a África é nossa! Nós somos a África. Filhos da África vamos cuidar desse tesouro. Dançar, dançar, dançar! Beng, Beng, Beng!

Obrigada Femi Kuti, seja bem vindo e volte sempre. Somos brasileiros, somos filhos da África! Somos todos um só!

16 dezembro 2010

Excluídos da natureza

Dia desses parei pra pensar nesses objetos que o homem cria e que destoam da natureza. Estava deitada na rede, procurando um tucano que come os passarinhos lá do quintal e vidrei meus olhos no carro estacionado à porta da casa.

Pensei: esse carro não é natural. É artificial. Não é da natureza, certo? Errado, porque todas as partes que o compõe foram encontradas na natureza. Transformadas, sim, mas não vieram de marte. A não ser que o homem tenha vindo de marte e trazido consigo elementos marcianos, implantados há milhares de anos na terra para facilitar a evolução alienígena. Mas não tenho provas dessa hipótese...

Bom, mas o carro não é natural porque sua produção e consumo agridem a natureza. Errado também. Não dá pra cobrar que uma coisa, seja ela o que for, não interfira na natureza. Veja o caso do perigoso tucano, que ronda o pé de pitanga atrás de um ninho de Tié Sangue. Quantas vezes não vi as peninhas na terra, prova do assassinato de filhotinhos inocentes. Ou os gritos da mamãe Tiê Sangue à procura do imoral predador de suas crias.

E os milhares de processos físicos e químicos necessário para a produção do carro? As abelhas constroem colméias enormes, que produzem litros de mel, através de processos físicos e químicos. Elas podem não utilizar equipamentos de segurança, mas correm até risco de morte em suas jornadas para colher o néctar de uma planta. Ou seja, a questão da transformação também não desclassifica o veículo automotivo do quadro de elementos naturais.

Mesmo assim, esse carro me parece tão, mas tão artificial. Não me parece nada integrado à beleza da verdadeira da natureza. Talvez os designers devessem pensar em estampas floridas, para tentar incluir esses excluídos do natural. Não, também não vamos exagerar. Gosmas e bichos peçonhentos são o que são, e são naturais com N maiúscula.

Ah, que dúvida cruel. Essas máquinas poluentes, esses produtos de consumo, essas insanidades criadas pelo homem não podem ser fruto de minha tão venerada natureza, podem?

Esse tipo de pensamento é capaz de nos levar a loucura. Como não tenho grana pra terapia, apelei por externá-lo à primeira pessoa um pouco mais informada sobre esse assunto que encontrei. Por sorte, tenho uma irmã Engenheira Bioquímica, doutoranda em genética de alguma coisa, com um mestrado sob o título "Estudo sobre a redução de Fe3+ por extratos aquosos de cultivos de Ceriporiopsis subvermispora sobre madeira e sua relação com a peroxidação de lipídeos"(!!!heim???) e aberta o suficiente para analisar essa viagem. Contei o pensamento um tanto envergonhada e perguntei:
- Afinal, cientificamente, esse carro é natural? Essa rede é natural? Esses produtos são naturais?
- Hum, eh, ah, é, são. Por esse seu pensamento!

Ah, que afirmação desejada. Não estava ficando louca. Mas eis que surge um email na minha tão natural caixa de entrada, dois dias depois, com remetente GutaLax (Remédio para gases e apelido carinhoso da minha irmã).

“Oi Jo, tudo bem? Estive pensando sobre a sua idéia "do natural". Não existe como separar a idéia de natural da industrialização... não que uma coisa deixe de ser natural, mas depois que ela passa por processo de industrialização vira natural industrializado....mas interessante é que as pessoas podem ter até consciência de que é preciso conservar o natural, mas falta a consciência da pegada ecológica que o processo de industrialização gera. Já ouviu falar desse termo "pegada ecológica"? Tipo a pessoa sabe que não deve desperdiçar água, mas nem imagina quanta água deve ser usada para fabricar um carro novo sonho de consumo....não adianta fechar a torneira na hora de escovar o dente e trocar de carro todo ano....essa consciência que falta as pessoas... esse cara, o Genebaldo, escreve uns livros muito bons....tem um "pegada ecológica e sustentabilidade humana"...lembrei dele pensando nessa sua idéia maluca.”

Ah, a industrialização. Deve ser na fábrica que ficam as almas dos elementos naturais, aprisionadas pela ambição desenfreada dos patrões, para a transformação em produtos de consumo. Lá elas ficam separadas de seus elementos naturais, vigiadas pela exploração descabida e pelo estímulo indiscriminado ao consumo.

Então, tudo poderia ser muito natural. Não é uma questão de produzir e criar. Mas de não saber, nem se importar, com os processos de transformação, que fazem parte do curso natural da vida. É, o assunto rende um monte e eu vou continuar pensando...enquanto isso vou dividindo e compartilhando!

06 dezembro 2010

O amor só dura em liberdade

A despeito de minha intuição no início de 2010, de que este seria o ano dos amigos, me preparo para agüentar a saudade de ver duas de minhas mais fieis companheiras arrumando suas malas e partirem para seus sonhos. Eu só posso torcer para que tudo dê certo. Ai, coração que aperta!

Sarah e Anai são duas mulheres lindas, inteligentes e batalhadoras e daqui a uma semana, embarcam rumo à África. O continente esquecido pelo desenvolvimento ganha a atenção de duas preciosidades. Não falo à toa. De tudo que tenho hoje, poucas coisas não tiveram o pitaco ou o empurrão dessas duas morenas, que carregam a gostosa e esperta brasilidade na alma.

Na hora da despedida, penso comigo: como foi que nos encontramos? Em qual momento começamos a dividir nossos sonhos, vontades, verdades? Tudo se perde em coisas da vida, na infância, na adolescência. Agora, na juventude, tudo o que queremos é a felicidade, a nossa e a de todo mundo.

E já que é para ser assim, à distância, fica aqui meu coração, à espera dessas duas, que não sabem se ficam ou se voltam. Se encontram ou se despedem. Mas que deixam seus lugares muito bem guardados.

Sortuda eu, de ter tido a presença delas por tanto tempo, outros às merecem também. Seguindo a assertiva intuição de fim de ano, parece que 2011 será o ano da partilha!

Um pouco de Raul pra me consolar

A maça

Se esse amor Ficar entre nós dois Vai ser tão pobre amor Vai se gastar...
Se eu te amo e tu me amas
Um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais...
Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa num altar...
Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais...
Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar...

21 novembro 2010

08 novembro 2010

Naturaleza Sabia – Buenos Aires

Restaurante Vegetariano - Buenos Aires
Naturaleza Sabia
Los esperamos en: Balcarce 95

Quando estive em Buenos Aires, fui a um restaurante vegetariano chamado Naturaleza Sabia. Já se passaram alguns meses, mas ainda me informo sobre o cardápio da semana.

Bons momentos passei ali. Curto esse momento. Poderia ter reprise. Poderia ter mais. Atrás de Sarah Goes. Ali achei. Hoje já não sei onde está Sarah Goes. Mas sei o Menu do Naturaleza Sabia!

Platos ejecutivos (delivery $20, ou R$ 8,60)

* Bastones de tofu rebozado con ensalada o salteado de berenjenas con arroz integral.

* Ensaladas de 4 gustos a elección (rucula, palta, lechuga, zanahoria, espinaca, repollo colorado y blanco, tomate, coliflor, brócoli) con salsa de soja y semillas.

* Salad pasta con verduras crudas o cocidas.
* Garbanzos con verdes, salsa de soja y sésamo tostado.
* Milanesas de soja orgánica rellenas y arroz primavera.
* Milanesas de berenjena con salsa de hongos y pure de papas saborizado.
* Hamburguesa de lentejas con queso y quinoa con verduras salteadas.
* Omelette con hierbas frescas y abanico de brócoli y coliflor.
* Chop suey con seitán.
* Ñoquis de espinaca con salsa de albahaca o roja.
* Canelones de verdura con salsa bechamel y verde.


Platos gourmet (precio para delivery $25, ou R$ 10,75)

* Seitán a la mediterranea.
* Rolls vegetarianos con salsa de yogurt y gomasio.
* Tempura de vegetales con zanahoria rallada, tomates y brotes de soja.
* Muzzarella rebozada con arroz, mix de verdes, pasas y almendras.
* Budin de brócoli con tempuras y salsa teriyaki.
* Provoleta con verduras asadas.
* Ensalada Naturaleza (palta, lechuga, aceitunas verdes y negras, pepinos, champignones, brotes de soja, cherry y semillas).


Postres (precio para delivery $10, ou R$ 4,3, copa de frutas $12, ou R$5,5)

* Copa de frutas con granola, yogurt, miel y almendras.
* Budin de coco con praline.
* Flan casero con dulce de leche.
* Pastel de manzana con semillas.

Vinos orgánicos 750cc (precio para delivery)

* Santa Irene (cabernet sauvignon) $30
* Vinecol (malbec) $35
* Vinecol (cabernet rosé) $35
* Médanos (tempranillo) $45
* Vinecol Reserva $70

Vinos artesanales 750cc (precio para delivery)

* Familia Martinez Croce (malbec,cabernet sauvignon,brut nature) roble. $30


Cervezas artesanales Gulmen (Río Negro)

* 330cc (trigo, negra, dorada y roja) $16
* 600cc (trigo, negra, dorada y roja) $28


Martes a viernes al mediodía en el salón, entrada + plato del día + limonada + té =
$30

Pedidos y reservas al 43006454.
Nuestros días y horarios: martes a sábados de 12 a 15hs y de 20 23hs. Domingos 12:30 a 18hs. Lunes cerrado.
Los esperamos en Balcarce 95

Clases de yoga: martes, jueves y viernes 10:30hs. miercoles y viernes 19 hs.
1 vez x semana, el mes $120.
2 veces x semana, el mes $180.
Instructora: Melania Lorenzatti. melilorenz@hotmail.com

Masajes: shiatsu, tailandes y descontracturantes.
Sesión de 60 minutos $100.



GRACIAS!!!!!!!

Há 500 anos esta noite...

Por Pedro Tierra - Brasília, 31 de outubro de 2010.

De onde vem essa mulher
que bate a nossa porta 500 anos depois?
Reconheço esse rosto estampado
em pano e bandeiras e lhes digo:
vem da madrugada que acendemos
no coraçao da noite.

De onde vem essa mulher
que bate às portas do país dos patriarcas
em nome dos que estavam famintos
e agora tem pão e trabalho?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem dos rios subterrãneos da esperança,
que fecundaram o trigo e fermentaram o pão.

De onde vem essa mulher
que apedrejam, mas não se detém
protegida pelas mãos aflitas dos pobres
que invadiram os espaços de mando?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem do lado esquerdo do peito.

Por minha boca de clamores e silêncios
ecoe a voz da geração insubmissa
para contar sob sol da praça
aos que nasceram e aos que nascerão
de onde vem essa mulher.
Que rosto tem, que sonhos traz?

Não me falte agora a palavra que retive
ou que iludiu a fúria dos carrascos
durante o tempo sombrio
que nos coube combater.
Filha do espanto e da indignação,
filha da liberdade e da coragem,
recortado o rosto e o riso como centelha:
metal e flor, madeira e memória.

No continente de esporas de prata
e rebenque,
o sonho dissolve a treva espessa,
recolhe os cambaus, a brutalidade, o pelourinho,
afasta a força que sufoca e silencia
séculos de alcova, estupro e tirania
e lança luz sobre o rosto dessa mulher
que bate às portas do nosso coração.

As maõs do metalúrgico,
as maõs da multidão inumerável
moldaram na doçura do barro
e no metal oculto dos sonhos
a vontade e a têmpera
para disputar o país.

Dilma se aparta da luz
que esculpiu seu rosto
ante os olhos da multidão
para disputar o país,
para governar o país.

27 outubro 2010

Da mensagem televisionada




Hoje, no ar, o mais novo comercial de família feliz.
Escambo de dignidade por acesso à rede.
Tratar com os Espanhóis.
Agradecimento
à F.H.C.

Esi minha interpretação. Coloco-as a fim de colaborar com outros receptores dessa informação. Clique aqui para ver a mensagem televisionada.

22 outubro 2010

Chico Buarque em três linhas

Todos se fartam entre as massas, cervejas e a perna de carneiro. Camisas de futebol, coloridas, penduradas no teto do restaurante, alegram e fortalecem a falação, típica comemoração das famiglias paulistanas. Na cantina, todos comem muito.

Mas não é que no meio da comemoração acontece o diálogo e eu choro. Olho ao redor e ninguém vê a lágrima, nem eu. Só uma pessoa me lança olhares diferentes. Sem repreensão no tom de sua voz, o Homem fala “você não pode chorar por isso.”

Entendi que ele e muitas outras pessoas jamais sentiriam o meu sentimento, por melhores e maiores que fossem. “Todos buscam coisas para se preocupar. Eu escolhi me preocupar com isso”. Meu choro é uma lágrima só.

A comida acabou, as pessoas tomaram seus cafés e partiram. Minha barriga não saiu tão pesada .Um pouco por conta do diálogo indigesto. Outro tanto por desprezar aquela fartura. Mas na cabeça eu fiquei com a estranheza de um almoço familiar de domingo.

Um homem a me questionar quanto à minha capacidade de sentimento de indignação com relação a mais uma derrota temporária do movimento de mudança e transformação nesse espaço que é o Estado de São Paulo. E eu chorei.

Demorei a perceber o peso da repreensão. E não tive essa consciência sozinha. Encaracolei minha mente com a situação por dias. Me questionei, obstinada a enxergar de qual maneira aquele homem interpretava a realidade.

Não podia ser a mesma realidade que a minha. Será que eu estava perdida? Será que pensava assim sozinha? Não era um menino, uma menina ou uma mulher a me questionar. Era o Homem. E minha lágrima era pela política. Eu devia estar errada.

No dia seguinte, pulei da cama, com vontade de existir e encontrar uma resposta. Parecia tão distante, mas se apresentou ali, à minha frente e a frente de todos. Obstinada, abri a minha mente e escutei o som do cotidiano.

Na noite de terça-feira, tudo fez sentido. Era o homem. Era Chico Buarque, sem mais sobrenomes, como assina seus discos. Era o Chico, das canções eternas, das mulheres. De Brasil a Atenas. De mãos dadas com Gilberto Gil. Assumido protagonista.

Quanta força ganhei. E aquela lágrima sob julgamento foi absolvida. O Outro pode voltar e não desviarei o rosto. De todos os Homens, é mais forte o que inspira uma mulher do que aquele que a repreende.



Chico e Dilma, em 19 de outubro de 2010, Rio de Janeiro

18 outubro 2010

Sempre que faço...

Eita que frio na barriga!
E não é que eu deslanchei, fui lá e fiz.
E pode ser que dê em tudo e pode ser que dê em nada.
Vou ter que esperar para saber.
Ao menos essa espera vale a pena.
Uma resposta, positiva ou negativa, há de vir.

E quando nada se faz,
Nenhum frio na barriga,
A certeza do nada lateja.
Não há espera a se esperar.
Nem dúvida sobre nada.
Nenhuma resposta entre milhões de dúvidas.


Om ॐ de vibrações positivas no Salto do Tabaquillo, Serras de Córdoba

15 outubro 2010

Satisfação contada

Nem toda a insatisfação é negativa. Insatisfeita quero mudar. Transformar, construir, reformar. Não estou satisfeita com tudo agora. É bom estar tranquilo, mas é preciso se incomodar, para tudo se mover. É como a água do mar, que vai e vem sem nunca parar, escorrer ou evaporar.

Estavam certos Francis Hime e Chico Buarque. “Aquela esperança de tudo se ajeitar, pode esquecer”. Se tudo tomasse jeito, como o tempo poderia correr? Não percebe que tudo só estava certo enquanto se construía. Por isso agora digo, que ainda e tem muito o que se construir, antes de destruir para concertar.

13 outubro 2010

Quando a velhice chega

Nesse feriadão, com dia das crianças, teve também reflexão sobre a velhice




Feriadão é tempo de mesa de bar e conversa fiada. Acontece que feriadão em época de eleição transforma mesa de bar em campo de batalha e fórum de discussão. Deve ter acontecido bastante por aí. Comigo aconteceu assim.

Eu cheguei na mesa da velha guarda e botei pra fora da boca a minha opinião. E não é que os velhos, aos quais tenho muito respeito, me vieram com um papo de “você é uma muleca que não sabe nada”. Ai, quem me conhece, sabe o nível da resposta. “Pois se sou muleca, tenho todo um futuro pela frente, me deixe escolher, que vocês já estão velhos”. Fez-se o silêncio. Teve quem ficasse magoado. Eu mesma pensei que não deveria ter tocado em um assunto tão delicado: a velhice.

Mas veja bem. Eles escolhem sempre os mesmos e as alegações são das mais estapafúrdias! Aborto, Zé Preto, Erenice, Estatização. A política é velha. Não no sentido de vivida e sim na direção do atraso. Quem ainda agüenta as mesmas caras, que não querem largar o osso. Chupinhas de impostos, distribuidores de propina.

A verdade é que não gosto de ninguém. Maior que o gosto é o desgosto. Mas o sistema está aí, e não vejo outra saída se não entrar no bicho e tentar mudá-lo, matá-lo ou inibi-lo, porque do jeito que está não dá. Uma vez Dilma eleita, que faça a reforma política, para renovar a discussão e nos livrar do martírio que é defender um voto hoje.

07 outubro 2010

Fiz um aborto e ...

Conheço muitas mulheres que já fizeram ou pensaram em fazer um aborto. O aborto é uma questão de consciência e sabemos que nesse sentido, cada um tem a sua. Umas dizem: Graças da Deus que não tive esse filho. Outras dizem: Graças a Deus que tive esse filho. Tem também: Deus, porque não aproveitei aquela ocasião, por que depois nunca mais trepei!

Então, vá para aquele lugar com a polêmica. O aborto já é uma realidade. Tem clinica de aborto no Brasil inteiro. A diferença está, pra variar, no poder aquisitivo. Pobre toma remédio e pode até morrer. Rico, vai na clínica da Vila Mariana, paga dois paus e sai numa boa, podendo escolher a hora em que trará uma criança pro mundo.

Agora, políticos como José Serra ficam incitando esse tipo de debate enquanto deveríamos estar discutindo inclusão social, aumento da renda, trabalho decente, educação de qualidade. O que José Serra quer com isso? Fazer com que as mulheres que fizeram abortos fiquem se remoendo, pensando nos espíritos dos fetos que elas assassinaram? Se liga, seu José. Se quer ser Presidente, vai ter que trabalhar políticas públicas, inclusive para o aborto. A não ser que o senhor não ligue para o fato de mulheres morrerem diariamente ao ingerirem Citotec...

06 outubro 2010

Uma esmola de estudo para a filha de Ana

Por volta das 11h, Ana, que trabalha comigo, recebeu um telefonema informando que sua filha havia ganhado uma bolsa no valor de R$ 180,00 para serem investidos em educação. Ouvi Ana atendendo o telefonema e gastando cerca de 10 minutos em uma conversa onde repassou dados como idade da filha, telefone residencial, escolaridade e hábitos. A ligação caiu e Ana ficou sem saber o que fazer, mas estampou um sorriso no rosto por ter sido brindada pela sorte! Ao mesmo tempo, exibia uma angústia por ter que esperar o telefone tocar novamente. Vendo sua situação, perguntei quem era e o que tinha acontecido e Ana me disse que a Coordenadora da Escola havia ligado perguntando se ela ou a filha não haviam recebido algum correspondência indicando o recebimento da bolsa. Que o valor estaria disponível até amanhã, mas que a ligação havia caído.

Encontrei no celular da Ana o número de origem e retornei a ligação. No 11 3533-9053, uma moça atende. Pergunto da onde fala e a resposta é Projeto Educa São Paulo. Falo que trabalho com a Ana e repasso a ligação. Elas conversam por mais um tempo. Ana pergunta se pode ir na sexta-feira e na sequencia concorda em faltar ao trabalho e comparecer no Colégio Tecnico Mc Internacional amanhã.

Enquanto isso, faço uma busca no Google e encontro referências como Golpe da Microcamp, dívida de 3 mil reais, não acredito que caí nesse golpe... Peço o telefone e começo a questionar a atendente. Peço um site do colégio por ela indicado e ela me passa o da Microcamp. Ligo na Microcamp e me dizem que o Colégio não é da rede credenciada. Pergunto quanto custa o curso no colégio e a atendente diz não saber. Pergunto o telefone do Colégio e ela não passa. Por fim, digo obrigada pela atenção e oriento a Ana a tomar mais cuidado com esse tipo de ligação. Não sei se é golpe, só caindo pra saber, mas os indícios são muito grandes.

Ana ficou cabisbaixa, xingando pelos cantos, com a esperança de ter uma educação melhor para sua filha indo pelo ralo. A escola pública que sua filha frequenta continuará ruim pelos próximos 4 anos, afinal, o povo Paulista prefere acreditar em milagre e reeleger Alckmin governador, do que lutar pela mudança no sistema de ensino estadual. Êta realidade braba...vou me embora daqui e se as coisas caminharem ainda levo Ana...

04 outubro 2010

No segundo turno

Quem ganhou o quê, meu povo?
Eu nada ganho há muito tempo
Mas já ganhei casa caiada,
antena no quintal, piá e enxada.

Hoje teve votação.
Na seção, em Mirorós
Jaques Vagner deixava para trás
o cavaleiro Geddel Vieira Lima!

Em São Bernardo, o metalúrgico Lula.
Votando pela primeira vez em outro umbigo
Dessa vez uma mulher,
Dilma Roussef para presidenta do Brasil.

Mas eu perguntava quem ganhou o quê?
Eu nada ganho há muito tempo
Mas já ganhei a Linha Amarela
Rodoanel, e José Serra por mais um mês.

No Estado mais rico do País,
Geraldo Alckmin passa direto, mas no fio.
Mercadante cresce e a militância
Percebe, tarde, o que deveria

Parece até faroeste, esse Acre,
Tião com Tião, Viana com Bocalom.
Meio a meio, meio fio
Sem tirar nem pôr, entrar ou sair

Como é mesmo, quem ganhou, meu povo?
Eu nada ganho há muito tempo
Por aí até perdi, cabeça e razão
E até respeito se consome em vão.

Regressante, Rio Grande do Sul
Tarso Genro de uma só vez.
No Rio de Janeiro tem Sérgio Cabral
Nem tenho ganas de falar bem ou mal

No Amazonas, Artur Virgilio ficou
Cantarolando na Cohab com Netinho.
Marta Suplicy e Aloizio Nunes se olharam
Frente a frente como quem se olha no espelho

Quem são eles mesmo, que hão de dar ao povo?
Eu nada ganho há muito tempo,
Troco a fumaça pela caatinga
Fico de vez pelo sertão.

14 setembro 2010

Carta Capital conta a história de Verônica Serra


Revista mostra como filha de candidato tucano quebrou o sigilo de 60 milhões de contribuintes



Em 30 de janeiro de 2001, o peemedebista Michel Temer, então presidente da Câmara dos Deputados, enviou um ofício ao Banco Central, comandado à época pelo economista Armínio Fraga. Queria explicações sobre um caso escabroso. Naquele mesmo mês, por cerca de 20 dias, os dados de quase 60 milhões de correntistas brasileiros haviam ficado expostos à visitação pública na internet, no que é, provavelmente uma das maiores quebras de sigilo bancário da história do País. O site responsável pelo crime, filial brasileira de uma empresa argentina, se chamava Decidir.com e, curiosamente, tinha registro em Miami, nos Estados Unidos, em nome de seis sócios. Dois deles eram empresárias brasileiras: Verônica Allende Serra e Verônica Dantas Rodenburg.

Ironia do destino, a advogada Verônica Serra, 41 anos, é hoje a principal estrela da campanha política do pai, José Serra, justamente por ser vítima de uma ainda mal explicada quebra de sigilo fiscal cometida por funcionários da Receita Federal. A violação dos dados de Verônica tem sido extensamente explorada na campanha eleitoral. Serra acusou diretamente Dilma Rousseff de responsabilidade pelo crime, embora tenha abrandado o discurso nos últimos dias.

Naquele começo de 2001, ainda durante o segundo mandato do presidente FHC, Temer não haveria de receber uma reposta de Fraga. Esta, se enviada algum dia, nunca foi registrada no protocolo da presidência da Casa. O deputado deixou o cargo menos de um mês depois de enviar o ofício ao Banco Central e foi sucedido pelo tucano Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, hoje candidato ao Senado. Passados nove anos, o hoje candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff garante que nunca mais teve qualquer informação sobre o assunto, nem do Banco Central nem de autoridade federal alguma. Nem ele nem ninguém.

Graças à leniência do governo FHC e à então boa vontade da mídia, que não enxergou, como agora, nenhum indício de um grave atentado contra os direitos dos cidadãos, a história ficou reduzida a um escândalo de emissão de cheques sem fundos por parte de deputados federais.

Temer decidiu chamar o Banco Central às falas no mesmo dia em que uma matéria da Folha de São Paulo informava que, graças ao passe livre do Decidir.com, era possível a qualquer um acessar não só os dados bancários de todos os brasileiros com conta corrente ativa, mas também o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), a chamada “lista negra”do BC. Com base nessa facilidade, o jornal paulistano acessou os dados bancários de 692 autoridades brasileiras e se concentrou na existência de 18 deputados enrolados com cheques sem fundos, posteriormente constrangidos pela exposição pública de suas mazelas financeiras.

Entre esses parlamentares despontava o deputado Severino Cavalcanti, então do PPB (atual PP) de Pernambuco, que acabaria por se tornar presidente da Câmara dos Deputados, em 2005, com o apoio da oposição comandada pelo PSDB e pelo ex-PFL (atual DEM). Os congressistas expostos pela reportagem pertenciam a partidos diversos: um do PL, um do PPB, dois do PT, três do PFL, cinco do PSDB e seis do PMDB. Desses, apenas três permanecem com mandato na Câmara, Paulo Rocha (PT-PA), Gervásio Silva (DEM-SC) e Aníbal Gomes (PMDB-CE). Por conta da campanha eleitoral, CartaCapital conseguiu contato com apenas um deles, Paulo Rocha. Via assessoria de imprensa, ele informou apenas não se lembrar de ter entrado ou não com alguma ação judicial contra a Decidir.com por causa da quebra de sigilo bancário.

Na época do ocorrido, a reportagem da Folha ignorou a presença societária na Decidir.com tanto de Verônica Serra, filha do candidato tucano, como de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Verônica D. e o irmão Dantas foram indiciados, em 2008, pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, gestão fraudulenta de instituição financeira e empréstimo vedado. Verônica também é investigada por participação no suborno a um delegado federal que resultou na condenação do irmão a dez anos de cadeia. E também por irregularidades cometidas pelo Opportunity Fund: nos anos 90, à revelia das leis brasileiras, o fundo operava dinheiro de nacionais no exterior por meio de uma facilidade criada pelo BC chamada Anexo IV e dirigida apenas a estrangeiros.

A forma como a empresa das duas Verônicas conseguiu acesso aos dados de milhões de correntistas brasileiros, feita a partir de um convênio com o Banco do Brasil, sob a presidência do tucano Paolo Zaghen, é fruto de uma negociação nebulosa. A Decidir.com não existe mais no Brasil desde março de 2002, quando foi tornada inativa em Miami, e a dupla tem se recusado, sistematicamente, a sequer admitir que fossem sócias, apesar das evidências documentais a respeito. À época, uma funcionária do site, Cíntia Yamamoto, disse ao jornal que a Decidir.com dedicava-se a orientar o comércio sobre a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, nos moldes da Serasa, empresa criada por bancos em 1968. Uma “falha”no sistema teria deixado os dados abertos ao público. Para acessá-los, bastava digitar o nome completo dos correntistas.

A informação dada por Yamamoto não era, porém, verdadeira. O site da Decidir.com, da forma como foi criado em Miami, tinha o seguinte aviso para potenciais clientes interessados em participar de negócios no Brasil: “encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. Era, por assim dizer, um balcão facilitador montado nos Estados Unidos que tinha como sócias a filha do então ministro da Saúde, titular de uma pasta recheada de pesadas licitações, e a irmã de um banqueiro que havia participado ativamente das privatizações do governo FHC.

A ação do Decidir.com é crime de quebra de sigilo fiscal. O uso do CCF do Banco Central é disciplinado pela Resolução 1.682 do Conselho Monetário Nacional, de 31 de janeiro de 1990, que proíbe divulgação de dados a terceiros. A divulgação das informações também é caracterizada como quebra de sigilo bancário pela Lei n˚ 4.595, de 1964. O Banco Central deveria ter instaurado um processo administrativo para averiguar os termos do convênio feito entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, pois a empresa não era uma entidade de defesa do crédito, mas de promoção de concorrência. As duas também deveriam ter sido alvo de uma investigação da polícia federal, mas nada disso ocorreu. O ministro da Justiça de então era José Gregori, atual tesoureiro da campanha de Serra.

A inércia do Ministério da Justiça, no caso, pode ser explicada pelas circunstâncias políticas do período. A Polícia Federal era comandada por um tucano de carteirinha, o delgado Agílio Monteiro Filho, que chegou a se candidatar, sem sucesso, à Câmara dos Deputados em 2002, pelo PSDB. A vida de Serra e de outros integrantes do partido, entre os quais o presidente Fernando Henrique, estava razoavelmente bagunçada por conta de outra investigação, relativa ao caso do chamado Dossiê Cayman, uma papelada falsa, forjada por uma quadrilha de brasileiros em Miami, que insinuava a existência de uma conta tucana clandestina no Caribe para guardar dinheiro supostamente desviado das privatizações. Portanto, uma nova investigação a envolver Serra, ainda mais com a família de Dantas a reboque, seria politicamente um desastre para quem pretendia, no ano seguinte, se candidatar à Presidência. A morte súbita do caso, sem que nenhuma autoridade federal tivesse se animado a investigar a monumental quebra de sigilo bancário não chega a ser, por isso, um mistério insondável.

Além de Temer, apenas outro parlamentar, o ex-deputado bispo Wanderval, que pertencia ao PL de São Paulo, se interessou pelo assunto. Em fevereiro de 2001, ele encaminhou um requerimento de informações ao então ministro da Fazenda, Pedro Malan, no qual solicitava providências a respeito do vazamento de informações bancárias promovido pela Decidir.com. Fora da política desde 2006, o bispo não foi encontrado por CartaCapital para informar se houve resposta. Também procurada, a assessoria do Banco Central não deu qualquer informação oficial sobre as razões de o órgão não ter tomado medidas administrativas e judiciais quando soube da quebra de sigilo bancário.

Fundada em 5 de março de 2000, a Decidir.com foi registrada na Divisão de Corporações do estado da Flórida, com endereço em um prédio comercial da elegante Brickell Avenue, em Miami. Tratava-se da subsidiária americana de uma empresa de mesmo nome criada na Argentina, mas também com filiais no Chile (onde Verônica Serra nasceu, em 1969, quando o pai estava exilado), México, Venezuela e Brasil. A diretoria-executiva registrada em Miami era composta, além de Verônica Serra, por Verônica Dantas, do Oportunity, Brian Kim, do Citibank, e por mais três sócios da Decidir.com da Argentina, Guy Nevo, Esteban Nofal e Esteban Brenman. À época, o Citi era o grande fiador dos negócios de Dantas mundo afora. Segundo informação das autoridades dos Estados Unidos, a empresa fechou dois anos depois, em 5 de março de 2002. Manteve-se apenas em Buenos Aires, mas com um novo slogan: “com os nossos serviços você poderá concretizar negócios seguros, evitando riscos desnecessários”.

Quando se associou a Verônica D. Na Decidir.com, em 2000, Verônica S. era diretora para a América Latina da companhia de investimentos International Real Returns (IRR), de Nova York, que administrava uma carteira de negócios de 660 bilhões de dólares. Advogada formada pela Universidade de São Paulo, com pós-graduação em Harvard, nos EUA, Verônica S. Também se tornou conselheira de uma série de companhias dedicadas ao comércio digital na América Latina, entre elas a Patagon.com, Chinook.com, TokenZone.com, Gemelo.com, Edgix, BB2W, Latinarte.com, Movilogic e Endeavor Brasil. Entre 1997 e 1998, havia sido vice-presidente da Leucadia National Corporation, uma companhia de investimentos de 3 bilhões de dólares especializada nos mercados da América Latina, Ásia e Europa. Também foi funcionária do Goldman Sachs, em Nova York.

Verônica S. ainda era sócia do pai na ACP – Análise da Conjuntura Econômica e Perspectivas Ltda, fundada em 1993. A empresa funcionava em um escritório no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, cujo proprietário era o cunhado do candidato tucano, Gregório Marin Preciado, ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo de São Paulo, em 1993. Preciado obteve uma redução de dívida no Banco do Brasil de 448 milhões de reais para irrisórios 4,1 milhões de reais no governo FHC, quando Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-arrecadador de campanha de Serra, era diretor da área internacional do BB e articulava as privatizações.

Por coincidência, as relações de Verônica S. com a Decidir.com e a ACP fazem parte do livro Os Porões da Privataria, a ser lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Em 2011.

De acordo com o texto de Ribeiro Jr., a Decidir.com foi basicamente financiada, no Brasil, pelo Banco Opportunity com um capital de 5 milhões de dólares. Em seguida, transferiu-se, com o nome de Decidir International Limited, para o escritório do Ctco Building, em Road Town, Ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso paraíso fiscal no Caribe. De lá, afirma o jornalista, a Decidir.com internalizou 10 milhões de reais em ações da empresa no Brasil, que funcionava no escritório da própria Verônica S. A essas empresas deslocadas para vários lugares, mas sempre com o mesmo nome, o repórter apelida, no livro, de “empresas-camaleão”.

Oficialmente, Verônica S. e Verônica D. abandonaram a Decidir.com em março de 2001 por conta do chamado “estouro da bolha” da internet – iniciado um ano antes, em 2000, quando elas se associaram em Miami. A saída de ambas da sociedade coincide, porém, com a operação abafa que se seguiu à notícia sobre a quebra de sigilo bancário dos brasileiros pela companhia. Em julho de 2008, logo depois da Operação Satiagraha, a filha de Serra chegou a divulgar uma nota oficial para tentar descolar o seu nome da irmã de Dantas. “Não conheço Verônica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail”, anunciou.

Segundo ela, a irmã do banqueiro nunca participou de nenhuma reunião de conselho da Decidir.com. Os encontros mensais ocorriam, em geral, em Buenos Aires. Verônica Serra garantiu que a xará foi apenas “indicada”pelo Consórcio Citibank Venture Capital (CVC)/Opportunity como representante no conselho de administração da empresa fundada em Miami. Ela também negou ter sido sócia da Decidir.com, mas apenas “representante”da IRR na empresa. Mas os documentos oficiais a desmentem.

01 setembro 2010

Eu acredito nessa ação

Às margens da rodovia Anchieta, o Jardim Silvina exibe, entre barracos e casas de alvenaria, o prédio do Centro de Formação Padre Leo Comissari. A associação, que em 1998 iniciou seus trabalhos oferecendo cursos técnicos na comunidade carente de São Bernardo do Campo, hoje agrega um Espaço Cultural, um Ponto de Cultura, uma creche e salas de aula de alfabetização de adultos e de cursos preparatórios para vestibular e concursos públicos. A evolução não para por aí. Do centro, nasceu a Rede Comissari, que fomenta o empreendedorismo e a troca de bens e serviços na comunidade, utilizando princípios da Economia Solidária. E a mais recente manobra da casa é a formação de uma incubadora de cooperativas. Tudo, para cumprir sua missão de resgate da cidadania e da qualidade de vida nas periferias e favelas do ABCD.

Um dos responsáveis pelo constante crescimento do Centro é Ailton Galdino. Aos 26 anos, o jovem que trabalhava como mecânico foi escolhido pelo padre Leo Comissari para estagiar em uma cooperativa, na cidade de Imola, na Itália. Lá fez faculdade e, quando voltou, em 1998, assumiu a gestão da Associação. Galdino percebeu que o mercado não absorvia os alunos que concluíam os cursos de formação profissional oferecidos pelo Centro, hoje cerca de mil por ano. Daí a necessidade de promover e criar empreendimentos para absorção dessa mão de obra. “Comecei a colocar em prática todo meu conhecimento em gestão cooperativa. Primeiro formamos a rede e agora articulamos a incubadora.”

Com quatro anos de existência, a Rede Comissari hoje conta com 25 iniciativas, de diversos setores, unidas para o fortalecimento da economia popular. “Procuramos capacitar os moradores para o empreendedorismo e estimular a troca de produtos e serviços para que a riqueza permaneça na própria comunidade”, explica Galdino. “Assim, se a Cooperativa de reciclagem de óleo precisar aumentar suas instalações vai dar prioridade à contratação da Cooperativa de construção civil, também associada à rede.”

Além de associações, cooperativas e estabelecimentos comerciais locais, a rede ainda conta com duas cooperativas que estão sendo estimuladas e estruturadas dentro da rede que, de forma independente, atua como incubadora. “Por enquanto estamos conseguindo realizar essas ações sem investimentos externos. Estamos buscando o apoio do Sebrae, das prefeituras e do Estado. Mas enquanto isso não acontece, vamos seguir contando com quem já ajuda, como o Banco do Povo de Crédito Solidário”.

Para estimular a compra de produtos e serviços entre os membros da rede, foi criada uma moeda social, o “comissari”, que possui a mesma cotação do real. Por enquanto, a moeda circula somente entre os parceiros da rede, mas a ideia é que ela seja gradualmente expandida para todos os moradores da região. Hoje, os empreendedores participantes do grupo já utilizam o comissari para pagar por produtos e serviços que compram entre si. “Moedas sociais aquecem o mercado, pois não há o princípio de acúmulo. Elas só valem se estiverem circulando, não são especulativas”, diz Galdino.

De acordo com a Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), até 2007 o governo havia mapeado, em 52% dos municípios brasileiros, quase 22 mil empreendimentos econômicos solidários e 45 moedas sociais. O MTE estima que a economia solidária movimente cerca de R$ 8 bilhões por ano.

O Centro de Formação Profissional Padre Leo Comissari foi pensado e fundado pelo padre Leo Commissari, assassinado em junho de 1998, vitima da violência urbana na favela Jardim Silvina.

- Texto Publicado na revista INOVABCD

12 julho 2010

De volta à Brava


Passei o dia sem voz e foi bom parar de falar um pouco. Deixar ao vento somente as palavras necessárias. Mas agora, começo de noite, os dedos denunciam essa coisa de estar sem voz.

É que ontem foi o dia em que voltei à Praia Brava. Tão próxima e tão longe, há seis anos, na molecagem, na liberdade, na coragem dos vinte. Houve uma vez, ainda mais pra traz de minha vida, que fui com minha mãe e minha irmã. Nos encantamos nadando com a roupa do corpo naquela água azul de magia. E, se não é invenção de minha cabeça, estive por lá, ou por muito perto, com meu pai. Isso já deve fazer vinte anos. Atravessamos uma íngrime montanha e ela está lá.

Ontem apresentava novas formas e a mesma essência. Sua beleza ainda segue firme. Impossível não valorizar qualquer segundo nela. Mas está machucada pela atitude ignorante de todos nós. Essa praia encravada em um vale de mata-atlântica, com ondas fortes e perfeitas ainda é a pequenina surreal Praia Brava.

Minha voz embargou enquanto eu cantava na beira do mar e um plástico chegou boiando aos meus pés. Não deixe um plástico estregar tudo isso. Eu usaria meus últimos segundo de voz para gritar: Salvem os Oceanos!

02 julho 2010

NONA

À primeira vista, Nona assusta o turista.
Olha por cima, de seu andar privilegiado,
Àquele que se aproxima com ganas de tarado.

Mesmo desdenhado, por um olhar apertado
Não há andarilho, caminhante ou passante
Que não se atente pra seu lado.

Nona chama a atenção!
Pernas longas e grossas, de índia escaldada,
Altiva como um português do sertão.

Quem nunca a viu passar sorrindo para fora
Não sabe o que esperar do coração dessa senhora

À segunda vista, se faz Ninha e o revés ao viajante
Coloca-se a envolver e disparar energia
Ao novo amigo e quem sabe futuro amante

Então já não se pode fugir dos abraços dedicados
Por povoados, cidades e países se espalham
Àqueles que ficam saudosos de seus cuidados

Mais bela ainda se revela quando se abre!
Flutua no ar sua pureza Guarani
Por dentro da casca de avaxi hi'y pe*

Só quem já sentiu a pureza de seu olhar naturista
Conhece o privilégio de se descobrir no coração dessa senhorita


* (Do idioma Guarani - Espécie de milho de espiga comprida. Fonte: Léxico Guarani, Dialeto MBYÁ, de Robert A. Dooley.)

16 junho 2010

Sao Paulo, Buenos Aires, Villa de Merlo

Sai de Sao Paulo sem saber bem para onde estava indo, nem o que esperar. Foi uma saída suave, com a ansiedade normal de qualquer descoberta e a tranquilidade de nao esperar que tudo fosse euforia. Cheguei em Buenos Aires pouco tempo depois, desfrutando de uma das qualidade mais intensas do ser humano, buscar outros lugares. Sair, passar, caminhar, navegar, voar, seja o que for, para estar em outros lugares, descobrir novo horizonte, cultura, modo. Abrir a mente.
A parada na cidade foi breve. Nos basta Sao Paulo. Mas Buenos Aires tem em seu nome o que atrai as pessoas. Ficamos em San Telmo e caminhamos pelas ruas todo o dia. A noite, partimos para o interior. Para Villa de Merlo. Lejos... tao longe como Mirorós de meu apartamento. Para ser mais especìfica, a mesma distancia!
Em Merlo encontramos Sarah, nossa baiana infiltrada na Argentina, fazendo teatro, levando Vinìcius de Moraes aos montanheses de Córdoba. Todo um movimento. Sarah trocou o calor do sertao da bahia, pelo frio do sertao de San Luis, limite com as serras de Córdoba. E aqui está no teatro, na música, no pao. Vivendo de trocas e criando seu filho na liberdade extensiva do campo. Que morocha!
Sarah agora vive o que vi de mais alternativo em modo de vida. O mínimo de moedas, o máximo de trocas, um tipo de cooperativismo sem amarras, que depende unicamente da atitude de cada um. Distante a 5km do Centro da Villa de Merlo, pode-se passar semanas na cabana, cuidando da horta, tocando com os músicos e criando seu filho. “Nao posso com tanto consumo", me disse Sarah Goes. E fizemos uma feijoada de feijao preto e caribé, pra sentir o gosto de casa!
Pela manha, o Sol se esconde atras de uma montanha imensa e o dia só fica claro as oito horas da manha. A temperatura se esquenta a base de vinho, salamandra e madeiras recolhida da mata. Daqui, seguimos para o oeste, desfrutando desse gosto bom da naturaleza latino americana e da simplicidade com que nos nutrimos aqui. Nao me vem outras palavras, se nao repetir o que venho dizendo já ha algum tempo! Como me importam meus amigos! Saber os caminhos que andam, cruzá-los! Como é bom!
Hasta Luego

30 maio 2010

Eu pedi pra chover, mas chover de mansinho!

Um Ponto no Conto fez seis meses de rede no dia 27 de maio. Expectativas de viagem, crise de cidade, relatos de uma viagem à Bolívia, protesto contra empresas de serviço, contos, jornalismo, economia da Banana, relatos da viagem de um amigo ao México, reflexões sobre o trem desgovernado, avisos, propaganda, dia-a-dia, poesia e nuvens.

A Bahia me chama, eu vou. É como uma sereia aquela baiana sertaneja que se encontra no interior da Argentina, segurando um filhote no colo, em um inverno a zero grau. Relembrei os primeiros contos de Um Ponto no Conto para resgatar como ele nasceu. Expectativas de uma vigem a um ponto desconhecido dessa América Latina maravilhosa. Cá estamos indo para outro ponto desses!

Caminhamos, mesmo sem enxergar o que tem além da neblina, na busca por novos começos, de outros contos. É um túnel com várias saídas e a da vez é a Villa de Merlo, na cidade de San Luis, Argentina, antes dos limites do Aconcágua, a Sentinela de Pedra, o pico mais alto deste Continente Americano. Suba em uma escada de trinta e oito metros e estará a 7 mil metros de altitude. Respire.

Expectativa pouca é bobagem. E saber que depois disso ainda tem mais. Mas isso é história de tempo futuro, que ainda não virou conto consumado. Então deixa pra depois!

Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo. Me lembrou Maria:
- Ô Joana, Deus lhe ouça pra que chova e bote água na barragem. Mas a chuva que cai aí não pode cair aqui não, porque as casa não aguentam! Entendi o que significava, “Eu pedi pra chover, mas chover de mansinho”.

20 maio 2010

De onde vem a imaginação?



Você nasce, abre os olhos, boca e narinas, tímpanos
Todos atentos.

Começa a observar.
O mundo. Cada traço,
todas as formas e cores.
Cheiro. Tudo entra em você.

Ai você desenvolve o querer.
Quer olhar, falar, respirar, escutar.
Começa a criar seu próprio mundo.
Aquilo que mais te chama atenção aparece.
Então você cresce ainda mais, tendo os
sentidos tocados pela percepção.

Começa a escolher e a observar,
o que cheirar, ouvir, tocar, falar.
Você apura seus sentidos,
permite a entrada de coisas
Do que há de melhor.
Se trabalha, se toca,
se fode e começa
a maturar.

Você
Está
pronto.
Está
Tudo
Dentro
de
você.

Relembre
as
cores
da
infância,
os
lugares
da
adolescência,
as
ciladas
da
juventude.
Junte tudo sem consciência de começo, meio e fim.
Nasce a imaginação
Nasce a imagina
Nasce a ima
Nasce a i
I
I
I
I

14 maio 2010

Dias de Água, Nuvem e Luz

Parece mesmo que aquilo tudo acabou. Os dias de água. De despedidas, do adeus pra sempre aqui na Terra. Tudo saiu do lugar e agora nada. Travo, tremo, penso de novo e nada faz sentido. Tenho muita vontade e muita preguiça. A temperatura do corpo varia como os dias de tempo louco em São Paulo. São dias de nuvens suspensa, de neblina nos olhos. Mil milhões de contradições e eis que aparece você, com essa cara lavada me cobrando uma postura séria. Controlo-me, retorcida por dentro, coço o nariz, enfio as mãos no bolso e digo – E aí! Tudo bem? – Não, não digo nada, baixo a cabeça, escondo meu rosto e acelero o passo para me esconder atrás de um ônibus. Atravesso a rua e me perco no meio do mundo, com medo, vergonha e pressa pra nada. Você passa batida. Melhor assim, ou pior?

Sei lá, também tudo bem. Ontem foi ótimo. Encontrei um e outro e eles me vieram com palavras tão carinhosas. Estamos ficando velhos. Velhos não, mas menos novos. Mas a pele ainda é boa e o corpo ainda tem forma gostosa. Velhos por que escutamos Acabou Chorare e novos porque ainda não somos Baianos! Fazia tempo que não os via. Um fazia mais de quatro anos! E ainda sentimos carinho. – Você foi a melhor amiga que eu tive – me disse com a voz calma. A gente se divertiu muito não é? Beijou na boca, ficou louca, se esbaldou! E agora, ambos casados, muito bem engalfinhados em nossas próprias casas, procurando uma saída tranqüila e uma vida verdadeira enquanto estamos por aqui.

É um dia de luz quando encontro vocês. São muitos e cada um é tão especial. Cada um com sua capacidade de perfumar, clarear, limpar a minha mente a seu jeito. Se for para confiar na minha intuição, relembro a passagem do ano. Eu desejei. – Esse é o ano dos amigos! Tudo de bom pra eles será tudo de bom pra mim! – Me desvio do primeiro plano. Não é lá que quero estar agora. Deixo pra eles.

E hoje é isso. Essa nuvem espalhada pela cidade. Não sei se chove, se fica assim ou se abre o Sol. Ainda posso encontrá-los. Provavelmente vou! Respiro, desejo uma coisa boa e sigo, mesmo sem enxergar o que tem além da neblina.


Serra de Coroico - Bolívia
Foto: Vinicius Morende

16 abril 2010

Artigo de Lula - Os Bric: Pensando o Futuro

Por Luiz Inácio Lula da Silva
PARA O SERVIÇO DE NOTÍCIAS GLOBAL VIEW POINT NETWORK

O grupo Bric nasceu há dez anos como uma mera sigla. Identificava um grupo de países que começava a transformar a realidade global.

Essas mudanças começam pelo fato de que, juntos, Brasil, Rússia, Índia e China já contribuem com 15% do PIB mundial. Somos países onde tudo é em grande escala. Representamos quase metade da população mundial, 20% da superfície terrestre e possuímos recursos naturais abundantes.

Somos, sobretudo, nações conscientes de nosso potencial como agentes de renovação. Por isso, os Bric já não são apenas um conjunto de letras. São uma referência incontornável na tomada das principais decisões internacionais. Estamos unindo esforços e coordenando posições para propor uma discussão mais transparente e democrática dos desafios que defrontam a humanidade como um todo.

É esta a mensagem que o Brasil levará à segunda reunião em nível presidencial dos Bric, que se realiza, no próximo dia 16 de abril, em Brasília. Apostamos numa articulação diplomática criativa e pragmática.

Já demonstramos nosso compromisso com o enfrentamento de desafios globais como os da segurança alimentar e da produção de energia no contexto das ameaças da mudança climática.

Mas o verdadeiro batismo de fogo do grupo ocorreu durante a crise global. A sólida reação dos quatro países à derrocada econômica do mundo desenvolvido abriu alternativas, por distintos caminhos, aos surrados dogmas herdados de ontem.

A recessão global não diminuiu o peso dos Bric - muito pelo contrário.

Propusemos estratégias coletivas para superar a crise e dar aos países em desenvolvimento um peso compatível na agenda internacional.

O colapso dos mercados financeiros é sintomático da falência de paradigmas antes tidos como inquestionáveis. Desabaram as verdades sobre a desregulamentação dos mercados. Ruiu o ideal do Estado mínimo.

A flexibilização dos direitos trabalhistas deixou de ser um mantra para combater o desemprego. Quando despencaram todas essas ortodoxias, foi a mão visível do Estado que protegeu o sistema econômico do colapso criado pela mão invisível do mercado.

Enquanto alguns dos principais países deixavam prosperar excessos especulativos, os Bric promoveram crescimento focado no trabalho e na prudência. No Brasil, nunca perdemos de vista o imperativo de enfrentar a desigualdade social. Como resultado, desde 2003, 20 milhões de brasileiros deixaram a pobreza e ganharam os direitos da cidadania plena.

No G-20, propomos saídas para a crise apoiadas em políticas anticíclicas, regulação dos mercados, combate aos paraísos fiscais e renovação das instituições de Bretton Woods.

Não podemos deixar que os sinais incipientes de recuperação da economia mundial sirvam de pretexto para abandonar os compromissos de reforma dessas organizações. Os membros do Bric não injetaram quase US$ 100 bilhões no FMI para que tudo ficasse como antes.

Seguiremos defendendo a democratização do processo multilateral de tomada de decisão. Os países pobres e em desenvolvimento têm o direito de serem ouvidos. Reduzir o fosso que os separa dos países ricos não é só questão de justiça. Disso depende a estabilidade econômica, social e política mundial. É nossa melhor contribuição para a paz.

Os recursos necessários para superar a fome e a pobreza são volumosos, mas modestos, quando comparados ao custo de resgatar bancos falidos e instituições financeiras vítimas de sua ganância especulativa. Não adianta oferecer alimentos e caridade, se não ajudarmos os países a realizar seu potencial econômico e agrícola.

Mesmo esses esforços estruturantes serão insuficientes para reverter a insegurança alimentar que aflige centenas de milhões enquanto persistir a distorção do comércio agrícola mundial. Os subsídios abusivos dos países ricos desestimulam a produção local, fomentam a dependência e desviam recursos melhor aplicados em programas de desenvolvimento. Por isso, é inadiável a conclusão da Rodada Doha.

Em nenhum tema o impasse negociador é tão grave quanto na questão ambiental. Por isso, os Bric estão empenhados em ajudar a fechar o acordo que faltou em Copenhague. Reduzir os gases de efeito estufa e manter o crescimento robusto nos países em desenvolvimento requer que todos façam sua parte, como vêm demonstrando os Bric com iniciativas ambiciosas para mitigar suas emissões.

Por isso, os grandes poluidores históricos têm um encargo especial. O equilíbrio que o Protocolo de Kyoto estabelece é indispensável para podermos avançar juntos.

O cenário internacional está repleto de antigos problemas, ao mesmo tempo em que despontam novas ameaças. Nem os membros do Bric, nem qualquer outro país, tem condições de enfrentá-los isoladamente. O unilateralismo nos levou no passado a impasses, quando não a catástrofes humanas, como a do Iraque.

Dependemos cada vez mais uns dos outros. É imprescindível forjar uma governança global mais representativa e transparente, capaz de inspirar unidade de propósito e revitalizar a vontade coletiva em busca de soluções consensuais. Os Bric cumprirão com suas responsabilidades nessa caminhada.

14 abril 2010

Para quem acha que consumir dá prazer, apresento-lhes a angústia!

Meu pai está preocupado porque já percebeu minha dificuldade de adaptação ao modelo de vida urbano, no que diz respeito às relações de trabalho, ao sistema capitalista, ao modo de consumo que temos que engolir no dia-a-dia.

Ontem fomos à feira juntos e no caminho ele dizia que gente como a gente, muito crítica ao consumo, tem uma grande tendência a se decepcionar. Citou uma reflexão de Maria Rita Kell, com relação às sensações de vazio e angústia. Na hora eu disse que não sentia nenhuma dessas coisas.

Mas, hoje eu vi que era angústia. Eu odeio consumir. EU ODEIO CONSUMIR. Não sei consumir, nem engolir termos e cláusulas. Não sei ficar quieta. Fico magoada. Eu odeio consumir. Consumir me deixa triste toda hora. A história a seguir ilustra bem minha relação com o consumo. Nada de mais, acontece toda hora, faz parte do que o consumo proporciona.

Há um mês, roubaram meu celular. Fiquei um tempo livre do rastreamento via satélite, tranqüila e feliz, até que percebi que pra quem procura emprego, ficar sem celular pode atrapalhar. No dia sete de abril – semana passada – fui até a loja da Oi, no Shopping Santa Cruz, comprar um aparelho e transferir minha linha que era da Vivo. A vendedora me atendeu sorridente, ofereceu mil ofertas para quem trazia o número de outra operadora. Escolhi um aparelho, um plano e pronto!

Pronto nada, portabilidade só daqui três dias. Tudo bem, eu subo na loja da Vivo, compro um chip e nesses três dias fico com a linha Vivo. Como ambos os atendimentos demoraram muito, tive que optar por ou comprar o aparelho na Oi, ou o chip da Vivo. A vendedora da Oi apareceu lá na loja da Vivo para me expor a falta de tempo. Optei por já comprar o aparelho e deixar o chip pro dia seguinte.

No dia seguinte, comprei o chip e... ops, não funciona. A vendedora me vendeu um aparelho desbloqueado, mas que não funciona com chip Vivo. Ela não sabia? Ela foi me buscar dentro da loja da Vivo pra me dizer que tinha que finalizar a compra. Ela sabia.

Tudo bem. Mais três dias sem celular me atrapalha, mas não mata. Sábado o celular começou a funcionar e segunda-feira... puf! Quebrou, o visor não funciona. Hoje fui até a loja onde fiz a compra. Procurei Fátima, a vendedora, que já não estava simpática e me disse: sinto muito, não podemos fazer nada! Só temos 24h para troca. Eu argumentei dizendo que nas 24h o celular nem foi ligado porque ela fez uma venda errada. Sinto muito me disse a gerente, que nem me orientar a procurar assistência técnica fez.

Sai da loja, sentei em um banco e cada vez que aparecia um cliente na vitrine eu aparecia ao seu lado e lhe explicava a minha situação, pedia licença, falava em tom calmo e ia embora. Tinha gente que escutava e gente que ignorava. E teve uma senhora que ficou muito feliz de ver alguém lutando por seus direitos.

A loja chamou a segurança, eu argumentei dizendo que ninguém havia reclamado, que eu estava ali como consumidora do shopping. Dei uma volta pra desencanar do assunto e voltei. A segurança não podia fazer nada. Abordei mais duas pessoas. E então, um vendedor, o Antonio, saiu bufante da loja, gritando, me mandando ir embora. Virei as costas e sentei novamente nos bancos próximos à loja. Vi que ele chamava novamente o segurança e me dirigi a eles. Me expliquei e eles me orientaram a denunciar o atendente, ainda bufante. Voltei pra casa pra me informar como proceder no Procon, acompanhada da angústia, que acompanha aqueles que querem mudar as coisas, mas não sabem como.

É isso aí, quem acha que consumir dá prazer, apresento-lhes a angústia! A mesma angústia que aparece quando jogo meus quilos de lixo, fruto do consumo desenfreado, numa lixeira cujo destino é a natureza. Essa angustia está em tantos lugares, é só começar a prestar atenção.

13 abril 2010

Sôdade

Passado tudo isso, sinto uma falta de vida,
daquelas vidas em que se respira de verdade.
Comer maça - sem código de barras.
Goiaba do pé, pinha, acerola, romã.

Alguém viu por aqui o cheiro do mato?
A poeira vermelha entrando por entre as frestas.
O vizinho chegando e lhe pedindo um alho.
E tudo ao seu alcance.


Foto: Vinicius Morende

08 abril 2010

Tô com Jorginho Maneiro

Raul Seixas

Eu acho graça

- Alô!
- Oi! É o Jorginho Maneiro? É verdade que agora você é hippie?
- Podiscrer!
- Podiscrer! Podiscrer! Podiscrer!...

Ah! Vou te contar, contigo eu tô
Ah! Vou te contar, contigo eu tô
O tempo todo tô comigo
Eu tô contigo
E sigo na jogada
Eu não tô com nada mesmo
Eu tô de toca e tanga
Eu tô na santa paz, oh nêgo
O Tico-tico e o Teco-teco
Todos tão por dentro da jogada
Eu não tô com nada mesmo
Eu tô muito tranqüilio
Eu tô dizendo adeus

Passo pela praça e acho graça
Falam mal de mim e eu acho graça
Todo tempo ido tá contigo na manhã
Todo tempo tido, tô contigo na manhã
Na manhã! Na manhã!

05 abril 2010

Goldman, a herança de Serra aos paulistas


Eis que surge, sentado na cadeira de governador de São Paulo, Alberto Goldman. Eleito pelo povo como vice-governador, o engenheiro assume o posto para que seu amigo de 30 anos, José Serra, candidate-se à presidência.

Não o conheço muito bem, sou avessa a tucanos, e me chamou atenção o fato de ele ser o presidente do Conselho de Administração do IPT. Ah! Sei, o IPT, aquele órgão “isento e responsável”, que fez a fiscalização nas obras do Metrô!

Sem querer tomar conclusões precipitadas, fiz uma pesquisa básica e encontrei coisas nada boas do atual governador de SP, como a seguinte notícia: “O MP Estadual investiga as relações do Instituto de Desenvolvimento, Logística, Transportes e Meio Ambiente (Idelt) com o governo paulista e prefeituras. O Idelt é uma organização não governamental criada por Alberto Goldman (PSDB)... e recebeu pelo menos R$ 5 milhões dos cofres públicos nos últimos sete anos."

Esse aí nos enfiaram guela abaixo. Não aguento mais isso. Me resta esperar ansiosamente que alguém isento e responsável de verdade lhe puxe o assento o mais rápido possível!

31 março 2010

Luta de base!

"Não sou só defensor dos direitos humanos, da livre expressão, do direito à greve de fome ou da liberdade para o cubano sair do país. Luto pelo aperfeiçoamento do socialismo que proclamamos há 50 anos e no qual essas premissas não existem numa contradição absurda."
Pablo Milanés; AFP; 31-03)

30 março 2010

Professores do Estado: pelo fim da ignorância!

O texto abaixo é uma resposta de Ligia Sanchez às pessoas que acham que grevistas são "vadios". Vou replicá-lo aqui porque sei que a ignorância, na maioria das vezes, não é culpa do ignorante.

Tive a sorte da oportunidade de estudar em uma boa escola, onde os professores eram bons e me ensinaram que a burguesia nunca quis educar os pobres como forma de controle social. Ter isso claro em minha mente me fez compreender muitas coisas, entre estas a atual greve dos professores do Estado.

Boa leitura!

Por Ligia Sanchez

E existe greve que não seja política?

Essa crítica de que a greve é política não a desqualifica, pois há a reivindicação de direitos legítimos dos professores. Da mesma forma, a inauguração do Rodoanel (sem terminar!!) e das pistas adicionais da Marginal também são políticas. Também são obras que atendem a necessidades do povo. Então, quem está no aparato, quem detém o poder, tem direito de tomar atos políticos, mas quem busca melhores condições de trabalho, não? Ainda mais considerando a categoria dos professores, que sabemos ter passado por um processo histórico de desvalorização.

Foi surpreendente até mesmo a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, do sábado, 27/03, considerando que este veículo apoia o governador. Em tom de denúncia, a matéria mostra claramente a orientação da polícia a usar de violência contra os professores, marca registrada do governo Serra contra qualquer tipo de manifestação popular.

Esse discurso de "trabalho versus bandalheiros" é um indício forte da desmobilização política presente em nossa sociedade. Afinal, quem está fazendo greve tem uma motivação, no mínimo, atrelada a seu trabalho. Fazer greve não significa não querer trabalhar e muito menos ter "mordomias", pelo contrário, significa buscar mais dignidade em seu trabalho.

É este tipo de posicionamento, da desmobilização política do trabalho, que contribui para a desvalorização dos professores e dá aval para o autoritarismo de um governo democraticamente eleito, duas situações que os professores estão fartos de aceitar.

22 março 2010

Os prós de nossa falta de memória

Na busca por pensar positivo, ver o lado bom das coisas e sobreviver da forma mais saudável possível aqui na cidade grande, tenho tido muitos insights.

Um, diz respeito a pensar positivo sobre a falta de memória política do cidadão brasileiro: já que não temos memória política, poderíamos esquecer o Arruda na cadeia. Que tal?

17 março 2010

Atrasados, porém Petrolíferos!

O Pré-Sal!
Enquanto os políticos discutem a divisão dos royalties,
Os ricos apóiam a individualização, para não terem que dividir depois.
Os pobres se nutrem de esperança, já que a comida é pouca,
E quem busca saber como será feita a exploração,
Como, preservação do meio-ambiente e geração de empregos,
Fica sem resposta.
Fica aqui minha posição:
Enquanto cariocas e paulistas reclamam da migração nordestina
E não fazem nada pela redução da desigualdade,
Enquanto os gringos destroem a natureza brasileira,
Quem pode fazer alguma coisa,
Está desesperado pensando em ganhar mais!
Essa discussão é cuspida e escarrada, ou esculpida em carrara, o atraso de nossa cultura política.

Dicas de ouro

Hoje, conversei com o desenhista Zé Geraldo. Liguei para marcar um encontro no Rio, na semana que vem, mas acabei conversando mais de uma hora sobre coisas da vida. Aos 85 anos, não são poucas as coisas que se tem pra falar... Entre tantas coisas, que me fizeram rir e me arrepiar, ele me indicou a leitura de Nélida Piñon. Obriagada Zé! Fez meu dia mais feliz!

Segue uma palhinha, para ler inteiro é só clicar no texto.

Colheita

"Um rosto proibido desde que crescera. Dominava as paisagens no modo ativo de agrupar frutos e os comia nas sendas minúsculas das montanhas, e ainda pela alegria com que distribuía sementes. A cada terra a sua verdade de semente, ele se dizia sorrindo. Quando se fez homem encontrou a mulher, ela sorriu, era altiva como ele, embora seu silêncio fosse de ouro, olhava-o mais do que explicava a história do universo. Esta reserva mineral o encantava e por ela unicamente passou a dividir o mundo entre amor e seus objetos. Um amor que se fazia profundo a ponto de se dedicarem a escavações, refazerem cidades submersas em lava."

15 março 2010

Os sonhadores

Hoje, eu li duas coisas que me chamaram a atenção por serem "coisas de sonhadores."

A primeira: "Jornalista denuncia plano midiático contra Lula, Dilma e o PT" foi divulgada no Portal Vermelho e diz respeito a estratégia de combate aos ataques midiáticos da direita. Sim, vamos a luta, vamos responder, vamos desmascarar a direita. Não é mais preciso pegar em armas e sim dominar a web!

A segunda: "Políticas de governança e a deseducação política", escrito por Luiz Roberto Alves, foi divulgada no site ABCD Maior e debate sobre o desafio da cultura política no Brasil.

Os textos, mais que nada, são sonhadores. E o melhor, estão mais para texto de doido do que para texto de iludido. É preciso mesmo sonhar, estimular o sonhos. Recomendo a leitura para abrir a semana!

12 março 2010

Ele se transformou em nuvem

Tem uma nuvem no céu.

Ela apareceu quando o sol se pôs e deixou seu arrebol alaranjado.

É uma nuvem comprida e sua ponta esquerda parece um rosto.

Ela vai voando, passando pelo céu da cidade, se misturando com a montanha lá atrás.

A nuvem tem um rosto, desses de desenho animado, de boca aberta, nariz comprido e arredondado.

A nuvem parece o desenho de um homem deitado, de boca aberta, sorrindo para a boca da noite.

Eu acho que se o Glauco fosse uma nuvem, ele seria essa nuvem.

Sorrindo como um desenho animado, pro eterno Céu de Maria.


Foto: Vinicius Morende

O tempo

O tempo é relativo demais para ser contado. Sorrateiro demais para ser controlado. Divino demais para ser classificado.

Quem sou eu para soltar aos ventos que ele está passando muito rápido? Se assim é, só pode ser porque tudo acontece, em um tempo, o tempo todo.


Foto: Vinicius Morende
Cemitério de Trens - Uyuni - Bolívia

08 fevereiro 2010

A História do Crack

Tem coisas que dão orgulho:
- A iniciativa do governo federal de combater o uso do Crack
- O trabalho muito bem feito pela Mixer e pelo diretor Luiz Pinheiro
- A interpretação de Don Pepe!

05 fevereiro 2010

Metrô cheio é pouco...


Eis a situação do trabalhador Brasileiro...Ê povo, ê povo, ê! Pelo amor de Deus cantar!

Recebi essa foto de minha amiga Shirlei, grande fonte de informações desse Blog. Ela tem o dela também, recomendo a todos: shimarina!

02 fevereiro 2010

SP realiza 33ª Caravana da Anistia

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em parceria com o Fórum dos Ex-presos Políticos de São Paulo e o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes vão realizar a 33ª Caravana da Anistia.

O evento contará com a presença do Ministro de Estado da Justiça Tarso Genro e compreenderá Solenidade de Abertura, Ato Comemorativo aos 2 anos das Caravanas da Anistia, Sessão de Memória em homenagem aos ex-perseguidos políticos do Estado de São Paulo e Sessão Especial de Apreciação de Requerimentos de Anistia.

Local: Sindicato dos Metalúrgicos de Mogi das Cruzes e São Paulo
Endereço: Rua Galvão Bueno, 782, Liberdade - São Paulo/SP
Data: 04 de fevereiro de 2010, quinta-feira
Hora:9h30min

22 janeiro 2010

Enquanto isso... no México!

Por Daniel Morende

Mesmo sendo 10 horas da noite e um calor danado la fora, não posso deixar de contar o que aconteceu nos últimos 3 dias. Ainda em Tulum tive a ideia de alugarmos um carro depois de acordarmos tarde para ir a uma ruína chamada Coba. Fui dirigindo até lá com 3 chicas argentinas e mais o Pedro. Encontramos a ruína Maia mais alta da peninsula de Yucatan. Lá no alto me deparei com algumas pessoas vestindo camisetas com algumas palavras em português. Era uma excursão de 80 brasileiros, bem no cume da pirâmide. Depois fomos a uma caverna animal, com estalactites e água cristalina e também um trampolim de 10 metros de altura.

O Pedro havia falado alguns dias atrás em fazer o curso de mergulho, mas não dei muita bola porque já havia feito a teoria no Brasil. Mas quando me falou o preço, tive topar na hora! Todo o curso, com teoria e 6 mergulhos é mais barato que 4 mergulhos no Brasil. Escolhemos ainda fazer em ilha Cozumel, um dos melhores pontos de mergulho do mar Caribenho. Então, à noite, pegamos a minivan e partimos de volta para dormir em playa de Carmem e dia seguinte ir para lá.

Aí, aconteceu uma das coisas que nunca mais me esqueco... Ao entrarmos na van, um mexicano que trabalhava na praia em Tulum, estava tomando uma breja ao meu lado. Como muitos, me ofereceu a erva e continou conversando. Depois de uns minutos, ouvi um barulho de água caindo no chão e quando olhei para o lado o tava com a piroca pra fora mijando pra frente. Na hora falei pra ele parar porque além de ser falta de respeito com os outros, ia molhar nossas malas que estavam na frente. Além de não parar, colocava o dedo na boca pedindo para nao falar pra ninguém. O problema é que o Marcos tava na frente do cara e respingou na perna dele. O cara ficou puto e ao chegar na praia, contamos ao motorista e nao deixamos o cara sair sa van. Nisso, passou um carro de polícia na nossa frente. Saí correndo atrás do carro, alcancei, contei a história toda. Algemaram o cara, colocaram no chiqueiro e o levaram. Nosso papel tava feito para que aprendesse a licão.

Saimos a noite e hoje chegamos em Cozumel de ferry boat. Fizemos a aula teórica na areia da praia e já mergulhamos a 7 metros. Saímos da praia mesmo. Sem palavras... Após o mergulho, fomos comer em uma pizzaria e havia um Cara tocando na praca em frente. Havia umas 80 pessoas em volta quando comecou a tocar Jobim. O Pedro, discreto que e, disse na hora que eu era. O cantor entao soltou umas palavras em Portugues, respondi e mandou mais 2 bossas.

Espero que estejam gostando dos meuse contos. Daqui a 3 dias pego meu voo e viajo a Cuba. Nao lembro se falei mas os 2 também decidiram vir comigo.
Beijos!

21 janeiro 2010

O trânsito de hoje e o voto de amanhã

O trânsito que enfrentamos hoje não é culpa de São Pedro, como diz a manchete “Temporal causou transtornos na capital paulista". Como se a natureza fosse a culpada e não a nossa ignorância. Algumas pessoas podem ficar cegas a esse fato, mas os verdadeiros culpados somos nós, através de nossos votos. Nossos administradores estão mais preocupados em terminar obras de melhoria das cidades e do estado daqui a pouco, quando estivermos mais próximos da eleição. Ah!!!! Sim, aparentemente eles fazem, mas fazem de um jeito que simplesmente “#%@#” com a vida da gente! Fazem pra ganhar a eleição e não por responsabilidade social. Fazem porque lhes convém, do contrário não fariam!

Soube, por uma pessoa do Ministério Público, que o Sr. Serra vai atrasar algumas obras para fazer o milagre do “São Paulo anda”, o milagre do “acabei com o trânsito”. O Sr. Serra está segurando obras para poder inaugurar em um calendário mais eleitoral! Enquanto isso, pessoas morrem porque a ambulância não consegue chegar a tempo ao hospital, pessoas perdem o emprego porque chegaram atrasadas, empresas deixam de fechar negócios porque a logística não funciona...

Sim, não vale a pena inaugurar nada agora, então segura mais um pouco, inventa de colocar umas plaquinhas a mais, fazer uma pintura de moldura, sei lá, segura!
Mas antes das eleições, tomem isso, tomem aquilo... E como nossa memória seletiva apaga coisas ruins, esquecemos as milhares de horas gastas nos ônibus e nos carros e dizemos... nossa, essa obra é fantástica, esse cara é o cara, ele Fez um milagre! São Paulo anda!

Eu não vou esquecer, na hora que eles tentarem me convencer disso, vou lembrar das milhares de horas no trânsito, vou lembrar que eles geraram um problema pra depois dizer que resolveram como num passe de mágica...
Vou lembrar que o Rodoanel caiu, que uma cratera se abriu na linha 4 do metrô, que pessoas perderam seus empregos para o trânsito da cidade. Vou lembrar que essa mágica é uma tática eleitoral muito maldosa.

20 janeiro 2010

Rap do Boris Casoy

Faço das palavras do rapper Garnett as minhas!

Isso é uma Vergonha
Ficha Técnica -
Direção: Maia Imagens
Voz e letra: Garnett
Selo: Pegada de Gigante
Assistência/Criação: Robson Ribeiro, Evelyn Albuquerque, Douglas Campolim, Marcos Maia e Daniel Olmedo

Se não abrir:clique aqui

19 janeiro 2010

Tulum! México

Por Daniel Morende

Buenos dias! No último disse que não sabia como era a consciência sobre o impacto do turismo por aqui e adivinhem... A Playa del Carmem, onde estávamos, está sofrendo uma reforma justamente agora em toda sua orla, para recomposição da praia. Acontece que construíram prédios tão próximos do mar que a praia esta sumindo. Ou seja, contrataram uns navios espanhóis para tirar areia do fundo e colocar mais próximo da praia. Muitos dizem que fizeram a mesma coisa em Cancun, não deu certo e muito dinheiro dos contratos foi desviado.

Em um dos dias nessa praia, pegamos um ferry boat à Isla Cozumel, muito conhecida por mergulhadores, com corais e etc. Ao chegar lá, fizemos um tour de uns 60 dólares. Nos levaram a alguns pontos de mergulho e a uma praia com tudo incluso. Foi a coisa mais cara que paguei até então. Foi muito bom, o dia estava bonito, estávamos "con las mas hermosas chicas de Argentina" e tudo mais. Não havíamos reservado o hotel para continuar lá e então tivemos que ir pra outro. Como éramos três, as 8 da noite, ficamos em um quarto com 16 outros marmanjos. A noite saímos, conhecemos outras argentinas e decidimos ir com elas no próximo dia para outro lugar. Voltamos entao eu, Pedro e Marcos (na verdade e Peter e Mark mas estou os chamando assim pra se adaptarem melhor), um pouco o caminho e agora estamos em Tulum. E uma viagem de 40 minutos em uma lotação para Sul de Playa del Carmem, lembrando que Cancun e para o lado oposto, onde estarei daqui a 6 dias. Um detalhe: derrubei um pouco de vinho na minha calca branca e ficou na lavanderia por uns 3 dias, com todas as roupas do outro cara. Tentamos pegar, mas era domingo e o lugar estava fechado. Entao fomos sem as roupas mesmo...

Mar caribenho verde verde, areia branca. No primeiro dia não fizemos muita coisa porque chegamos no meio do dia. Apenas fomos a umas cavernas com umas bicicletas que o próprio albergue oferece de graça. Isso porque estamos no meio de uma rodovia longe da cidade, é um lugar bom para ir para os pontos com naturaleza. Há incrivelmente muitas coisas ao redor, como as tais cavernas, algumas ruínas beirando o mar e também pontos de mergulho. Ontem fomos a uma praia, ha 10 minutos daqui, com os snorkles emprestados pelo albergue. Além da praia ser coisa de louco, tive a primeira experiência de nadar com tartarugas gigantes, de 1 metro e meio ao meu lado. Não sabia que não podia tocar e ainda tive esse prazer. Como disse, é mais fácil conseguir uma desculpa do que uma permissão, até porque não podíamos nadar neste lugar.

A noite fomos a um quiosque gigante que rolava salsa ao vivo, aulas com professores, etc. Ali conheci um cubano muito sangue bom. Seu nome e Leo Pestana, é de Santiago (Cuba) e quando disse que era brasileiro, encheu os olhos. Disse que já tinha tocado piano junto com o Milton e Djavan. Além de conversarmos também um pouco sobre Cuba, nos divertimos enchendo o saco das argentinas.

Playa del Carmen - México

Por Daniel Morende - 14-01

Hola, de Playa del Carmen ahora. Na verdade me precipitei um pouco na viagem, e ja estou neste lugar. Alguns KM abaixo de Cancun. Liguei agora para a mae para saber se ha algum risco de reflexo da tragedia do Haiti. Deu uma baqueada na viagem, muito triste, ainda mais sabendo que ha muitos brasileiros na missao de paz.

Bom, contando um pouco daqui. A ultima vez estava em Puerto Escondido. Por la encontramos umas argentinas, alias varias... Mas as que mais nos aproximaram foram 5. O que aconteceu e que estamos acompanhando elas ate agora. Apos tirar umas fotos do lindo por do Sol de PE, rumamos de madrugada em uma viagem de 9 horas / 400 Km para San Cristobal. Pequena, meio monotona e fria. Mas como as pessoas fazem o lugar, aproveitamos muito tambem. E uma pena que conhecemos tantas pessoas boas e temos que nos despedir em seguida. Mesmo assim, as hermanas nos convenceu (nao foi nada dificil) depois de 2 dias la fazer um tour com sentido a Palenque, meca das ruinas Maias. Para nossa surpresa, como nao entendemos direito o xiado delas (che, cha, cho, chuchu... so choana mesmo), nos deparamos com uma algumas surpresas no tour. Umas das paradas e chamado de Agua Azul, onde ha rumores que o filme lagoa azul foi gravado (acho que e verdade). Petaculo, cascatas de agua meio a uma vegetacao densa. Pena que aqui e tao turistico que em todos os lugares eles colocam caminhos ao longo do rio para tirar fotos etc, muitas vezes de cimento. Almocamos, e a proxima parada foi uma coisa de outro mundo. Provavel a mais bonita cachoeira que vi em minha vida. Alem de fotos, filmei por tras da cachoeira (um video agora por um caminho de pedras), para mostrar um pouco do sentimento que a forca que a natureza nos proporciona.

Apos sairmos energizados destas paradas, sem termos alguma expectativa, fomos as ruinas em Palenque. E provavel que este foi o melhor dia de viagem porque, tambem e emocionante. Mesmo sabendo que muito dos edificios Maias foram recuperados, nao ha como nao imaginar como era no passado. As pessoas andando, trabalhando, fazendo cultos etc... Pudemos desta vez entrar por dentro de uma das ruinas, a unica. Arquitetura perfeita, todo o jogo de luzes, iluminado a tarde e escuro a noite, sistema de drenagem (coisa que so apareceu em Roma em 1000 DC). O inicio da construcao das ruinas se dao em geral no inicio do primeiro seculo DC e as maiores demoraram ate 700 anos para serem completamente construidas. Na saida atrasamos por 10 minutos a volta, e o motorista ja estava saindo. Cheguei primeiro com o canadense e pedi que esperasse. Ele queria ir embora e entao vi os 2 (contando com a Lily, uma menina) que faltavam a uns 100 metros. Pedi que esperasse e comecou a andar com o carro, mesmo assim deixei a porta aberta e continuei a chamar os outros. Depois de terem corrido e alcancado a van, tivemos que ouvir ainda: Vosotros tienem que aprender a respectar mejor los horarios. Nao tinhamos razao mas acho que faltou um pouco de flexibilidade. Se ele fosse embora com nossas malas nao sei o que iamos fazer. Ate porque nao ia deixar os 2 pra tras...

Depois disso tivemos que esperar por umas 4 horas na cidade de Palenque em um restaurante o onibus direto a Playa de Carmem. Uma viagem de 12 horas, de madrugada, para andar muito, nao sei ao certo. Pra mim foi uma viagem de 2 horas porque dormi o caminho inteiro. Estamos os 8 agora em um hotel bem simples mas muito confortavel, ha 3 quadras da praia, por 20 reais a diaria. Apesar de um pouco frio a infra-estrutura e incrivel. Posso ate comparar com a costa leste da Australia, com lojas, bares, restaurantes, etc. Nao querendo puxar o saco, e sem tambem julgar se e bom ou ruim, mas e fato. Nao connheci os programas de sustentabilidade que existem aqui, entao nao sei o impacto. Mas se tivessem um eficiente, com certeza e um moderno ponto turistico.

Ate logo, mucha paz e hasta la proxima cartita electronica.

Mais de Puerto Escondido

Por Daniel Morende - 10-01

Depois de 5 dias de sol de 30 graus na mais bela praia do Pacifico, Puerto Escondido, estou voltando para o frio seguindo o caminho ate Cancun, San Cristobal de las Casas. Tudo certo ate agora, sem nenhum problema. Muito bonito e tranquilo por aqui. So outro dia que tive que voltar sozinho do bar as 5 da manha e encontrei a porta do hostel fechada. Como nao sabia o que fazer, tive que pular o muro do recinto e entrar pela janela do quarto. Mas ate ai tudo bem.

Vou seguir viagem com mais 3 pessoas. Um canadense, um americano (apesar de ser de lá é um dos caras mais gente boa que ja conheci) e uma inglesa. Não tenho me planejado nada para viajar. Não tenho nem reservado os albergues. Vou pelo que vou ouvindo no caminho que e legal e vou comprando as passagens assim que decido. Mesmo assim, os caras tao mais perdidos que eu. O Canadense pra ter ideia, nem mala trouxe de casa. Comprou tudo aqui, so saiu com a roupa do corpo. Como tenho um pouco mais de nocao, convidei a todos para irem nesse lugar e vamos juntos agora.

Esses dias bati minha primeira bola, na praia, justamente com uns Argentinos. Inclusive encontramos varios aqui, mas todos gente boa. Mesmo assim mandei o Maradona e o raggatom que eles ouvem para aquele lugar. Acho que o México cada vez mais, pra quem não procura confusão, e um lugar bem seguro pra se viajar, boa infra-estrutura e tudo mais.

E isso, vou indo que ta muito calor la fora.

Puerto Escondido - México

Por Daniel Morende - 08-01

Bom, estava em Oaxaca antes de ontem e vou contar um pouco como foi Mitla. Pegamos um tour, meu primeiro, passando por varios lugares inclusive Mitla, onde viveu a sociedade Zapoteca, tambem muito moderna. Este lugar tem uma das ruinas mais originais de todo o Mexico sem nenhum tipo de restauracao. Onde fui antes, nas pirâmides, há lugares com 70 ou ate 80 porcento de restauracao. Essas ruinas datam de 200 DC e já existia estrutura, por exemplo, de drenagem, coisa que so foi aparecer nas construções europeias apos 1000 DC. Tudo isso foi explicado por um guia muito engraçado, parecia um desenho animado.

Depois de Mitla, fomos a uma cachoeira seca, mas muito assim muito bonita por que deixou nas pedras o mineral que existia na agua, ha mais de 100 anos atras. Mesmo assim no topo da cachoeira (da pra voce andar ate o ponto onde caia a agua), de dentro da pedra sai agua por um buraco. Somente esta fonte existe ainda e vem de um lencol 6 metros abaixo.

Dia seguinte peguei o busao para Puerto Escondido, onde estou agora. Mesmo pegando o melhor ônibus, foi uma viagem meio tensa. 10 horas para andar 250 km. Uma especie de estrada de Taubaté sem fim. Escolhi bem o primeiro lugar do busao, na frente. Porque queria ver a estrada. Depois de 1 hora encheu o saco e dormi. Entre aspas, porque acordava a cada 5 minutos com as buzinadas, freiadas para desviar de cavalos, tudo isso de camarote.

Agora to na praia, e nao penso em sair muito cedo. Estou em Puerto Escondido dentro de um bangalow de cara pra areia. Tudo isso por 20 reais o dia. O Sol ta rachando e a noite na frente do bangalow tem uma festa que rola noite dentro. Tava na praia ontem e tinha que pegar 50 pesos para ficar em uma das cadeiras na praia. Dai troquei ideia com o cara, falei que era brasileiro e tudo, troquei ideia sobre futebol e depois de um tempo ele liberou a cadeira hahaha. Tem umas lojas na orla de alguns brasileiros, vendendo biquinis menores que o de costume por aqui. Tentei achar alguns mas os caras tão todos passando férias no Brasil.

Esqueci de contar que ainda em Oaxaca, a recepcionista do hostel me chamou pra ir no cinema. Como ia ter que esperar muito tempo sem fazer nada, aceitei. Fomos ver o tal do Avatar num cinema bem novo e tudo mais. Nao preciso nem falar sobre o filme... Mas valeu pelos oculos 3D que eles davam na porta. Os efeitos hoje em dia estao bem melhores, mais realistas. Acho que daqui pra frente so vao ter filmes assim. Pelos menos os de Hollywood.

Oaxaca - México

Por Daniel Morende - 04-01

Estou agora em Oaxaca, uma das cidades que fez parte da revolucao Mexicana com Emiliano Zapata. Muito historica, lembrando muito Sao Luis Do Paraitinga. Tem ate uma oratoria no meio da praca. Estou com 2 irmaos australianos, 1 mina e um cara que conheci na cidade do Mexico.

O Mexico tem definitivamente, muitas criancas. Acho que nesse ponto o Brasil tem se desenvolvido mais. O salario minimo e de 150 dolares, metade que o nosso. Tanto que de mochileiro, a unica coisa que posso dizer que estou fazendo e ficar em albergue por que tenho so comido e bebido em restaurantes muito bons. Uma refeicao completa com cerveja e tudo mais custa 20 reais. A comida e parecida com a que a gente tem nos restaurante mexicanos mas com outro tipo de tempero. Tudo, tudo mesmo e comido com pimenta.

Esse ano e muito especial ao Mexico. Estao comerando 200 anos de independencia e 100 de revolucao. Oaxaca em 2006 teve uma grande manifestacao popular. Tudo comecou com uma reinvindicao dos professores por melhores salarios. A policia entao tentou parar mas logo muitas pessoas comecaram a reinvindicar por melhoras sociais, junto com a oposicao. A cidade ficou em pe de guerra o ano inteiro ate o governo federal mandar as tropas militares para a cidade e acabar com tudo. Para quem nao sabe (eu nao sabia) apos a revolucao, o Mexico ficou ate 2000, com o governo militar esquerdista. As primeiras diretas foram agora em 2001, e a direita ganhou com uma disputa muito grande nas eleicoes. Mesmo assim a populacao ainda e muito dividida, e existem focos de repressao ao neoliberalismo. A policia em si esta em toda a parte na cidade do Mexico, onde a seguranca no centro (so no centro) e grande. Mesmo assim sao muito corruptos. Um dos caras no hostel, um suico, foi roubado pela policia, por incrivel que pareca. Nem no Brasil...

Nas piramides, la perto da cidade do Mexico em Teotihuacan foi muito interessante. Muito bonito tudo, a representatividade historica, mas como tinham muitos turistas (muitos tambem mexicanos) parecia mais um parque do Ibirapuera em 1 de Janeiro, com piramides em volta. Nem deu pra sentir a energia do lugar. Acho que ainda o unico lugar que senti coisa parecida foi na Diamantina mesmo. Amanha vamos conhecer um povoado ao sudeste de Oaxaca chamado Mitla. Pacaremos por uma destilaria de Mescal, a boa tequila do Mexico.

Nem vou para Acapulco. Dizem que e cheio de gente. sujo, muita violencia. Nao representa o que é o pais, muito amistoso e cheio de cultura.

Vida de Mochileiro na AL - Notícias do México

Depois de reportar sobre a Bolívia, aproveito esse espaço pra contar algumas coisas sobre o México. Não tive a oportunidade de estar lá pessoalmente, mas o Daniel Morende, repórter especial enviado ao México para um casamento que não aconteceu, me manda notícias muito interessantes de lá, que eu gostaria de partilhar, aproveitem:

Dani, dei uma editada pra não te comprometer!!!!

Por Daniel Morende
Cheguei no Mexico muito bem. Voos no horário, comprei uma câmera nova no Panamá, tomei uma canserinha da imigração, tive que assistir o cachorro revistar todas as malas do voo, pisando em cima delas uma a uma, encontrei a Ana, filmei uns mariates em uma cantina do século passado , tomei umas tequilas onde os revolucionários iam para comemora com tiros no teto (tem as marcas) e passei o ano novo com minha única companhia, 2 francesas. Não é tradicional as pessoas saírem às ruas, passam geralmente coma famiia. Então voltei cedo e pela primeira vez passei um ano novo muy tranquilo. Mesmo com meu portunhol, não preciso usar inglês em lugar nenhum. E fácil de entender as pessoas e o hostel aqui e bem fora. to pensando em passar uns dias mais na cidade do Mexico e ir direto para acapulco.

Vale a pena contar sobre o segundo dia. Havia combinado com uma francesa para conhecer o parque central da cidade. Fomos a pé conversando. Um dia um pouco frio mas cheio de mexicanos na rua em função do dia do trabalho. Quando chegamos ao parque depois de uma caminhada de 1 hora pela avenida principal da cidade do Mexico, El paseo de lá reforma, um palhaço estava com uma galera de mais de 100 pessoas fazendo claro palhaçadas. Foi quando ele me viu e perguntou de onde era. Quando falei ele sem duvida falou "Un campesino"! Me perguntou: Te gusta las mexicanas? E claro, falei (isso no microfone). Dai eles nos colocou Pra sentar bem de trás dele. Viramos os jurados de um grupo de crianças que dançavam na frente de todos. Como no Brasil, as crianças dançam bem digamos requebradamente. Com a participação especial de um moleque de 3 anos com a mão no Peru. Depois de quase uma hora atras do palhaço, demos empate entre 2. Demos uma volta e quando estávamos indo embora, uma repórter do canal 3, me parou e perguntou se não queria dar um depoimento. Como meu espanhol ta mais pra Portugues, deixei pra francesa (ela estuda aqui a um tempo). Mesmo assim fiquei do lado dela pra aparecer na tela. A pergunta: "o que quer de melhor ao Mexico para 2010. Dai ela deu uma descabelada falando da melhora da segurança.
No hostel enquanto escrevia essa mensagem, uns australianos apareceram e acho que viu continuar viagem ao Sul com eles. Estou indo para as pirâmides de Teotihuacan, a cidade arqueologica onde tem as pirâmides astecas. To me sentindo em casa com meu parceiros campesinos.

13 janeiro 2010

Vende-se banana: de R$ 0,40 a R$ 5,40 o quilo

Ontem fui ao Pão de Açúcar, comprar alguma coisa para o jantar e para o café da manhã. Logo na entrada, me deparei com a frutaria e procurei pela banana. Encontrei a prata ao preço de cinco reais e alguns centavos o quilo. Mais de cinco reais o quilo!

No mesmo instante me lembrei da banana que vendiam os produtores de Mirorós. Há épocas em que toneladas de banana, da melhor qualidade, são vendidas a vinte centavos o quilo. Vinte centavos o quilo!

Um ganha vinte centavos e outro cinco reais pelo mesmo produto! Alguém poderia fazer essa conta pra mim? Quantos % a mais o supermercado cobra?

Quanta diferença. Se a mesma carga de quatro mil reais passou a valer então cinco vezes a mais, só porque saiu da roça, andou mil quilômetros e chegou no supermercado. O caminhão carregado ao máximo, é comprado do produtor por um preço médio de seis mil reais é vendido pelo Pão de Açúcar a trinta mil reais. Assim, o supermercado lucra 24 mil reais em um caminhão de banana, só porque a banana teve que ser transportada, durante um dia, por mil quilômetros e foi ajeitada em bonitas pencas aos olhos do consumidor.

A conta apareceu instantaneamente na minha cabeça e obviamente não comprei a banana. Na feira, no dia seguinte, paguei um real e cinqüenta centavos o quilo. Muito mais justo, ainda assim, o dobro do preço que deveria ser pago na roça, porque o produtor também tem que ganhar o seu e vender sua banana a um preço mais justo, como setenta centavos.

Sim, a banana é o Brasil. O rico com muito, o pobre com pouco e o consumidor se colocando no seu lugar: compra o que pode e paga o que não pode.