Um Ponto no Conto fez seis meses de rede no dia 27 de maio. Expectativas de viagem, crise de cidade, relatos de uma viagem à Bolívia, protesto contra empresas de serviço, contos, jornalismo, economia da Banana, relatos da viagem de um amigo ao México, reflexões sobre o trem desgovernado, avisos, propaganda, dia-a-dia, poesia e nuvens.
A Bahia me chama, eu vou. É como uma sereia aquela baiana sertaneja que se encontra no interior da Argentina, segurando um filhote no colo, em um inverno a zero grau. Relembrei os primeiros contos de Um Ponto no Conto para resgatar como ele nasceu. Expectativas de uma vigem a um ponto desconhecido dessa América Latina maravilhosa. Cá estamos indo para outro ponto desses!
Caminhamos, mesmo sem enxergar o que tem além da neblina, na busca por novos começos, de outros contos. É um túnel com várias saídas e a da vez é a Villa de Merlo, na cidade de San Luis, Argentina, antes dos limites do Aconcágua, a Sentinela de Pedra, o pico mais alto deste Continente Americano. Suba em uma escada de trinta e oito metros e estará a 7 mil metros de altitude. Respire.
Expectativa pouca é bobagem. E saber que depois disso ainda tem mais. Mas isso é história de tempo futuro, que ainda não virou conto consumado. Então deixa pra depois!
Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo. Me lembrou Maria:
- Ô Joana, Deus lhe ouça pra que chova e bote água na barragem. Mas a chuva que cai aí não pode cair aqui não, porque as casa não aguentam! Entendi o que significava, “Eu pedi pra chover, mas chover de mansinho”.
30 maio 2010
Eu pedi pra chover, mas chover de mansinho!
20 maio 2010
De onde vem a imaginação?

Você nasce, abre os olhos, boca e narinas, tímpanos
Todos atentos.
Começa a observar.
O mundo. Cada traço,
todas as formas e cores.
Cheiro. Tudo entra em você.
Ai você desenvolve o querer.
Quer olhar, falar, respirar, escutar.
Começa a criar seu próprio mundo.
Aquilo que mais te chama atenção aparece.
Então você cresce ainda mais, tendo os
sentidos tocados pela percepção.
Começa a escolher e a observar,
o que cheirar, ouvir, tocar, falar.
Você apura seus sentidos,
permite a entrada de coisas
Do que há de melhor.
Se trabalha, se toca,
se fode e começa
a maturar.
Você
Está
pronto.
Está
Tudo
Dentro
de
você.
Relembre
as
cores
da
infância,
os
lugares
da
adolescência,
as
ciladas
da
juventude.
Junte tudo sem consciência de começo, meio e fim.
Nasce a imaginação
Nasce a imagina
Nasce a ima
Nasce a i
I
I
I
I
14 maio 2010
Dias de Água, Nuvem e Luz
Parece mesmo que aquilo tudo acabou. Os dias de água. De despedidas, do adeus pra sempre aqui na Terra. Tudo saiu do lugar e agora nada. Travo, tremo, penso de novo e nada faz sentido. Tenho muita vontade e muita preguiça. A temperatura do corpo varia como os dias de tempo louco em São Paulo. São dias de nuvens suspensa, de neblina nos olhos. Mil milhões de contradições e eis que aparece você, com essa cara lavada me cobrando uma postura séria. Controlo-me, retorcida por dentro, coço o nariz, enfio as mãos no bolso e digo – E aí! Tudo bem? – Não, não digo nada, baixo a cabeça, escondo meu rosto e acelero o passo para me esconder atrás de um ônibus. Atravesso a rua e me perco no meio do mundo, com medo, vergonha e pressa pra nada. Você passa batida. Melhor assim, ou pior?
Sei lá, também tudo bem. Ontem foi ótimo. Encontrei um e outro e eles me vieram com palavras tão carinhosas. Estamos ficando velhos. Velhos não, mas menos novos. Mas a pele ainda é boa e o corpo ainda tem forma gostosa. Velhos por que escutamos Acabou Chorare e novos porque ainda não somos Baianos! Fazia tempo que não os via. Um fazia mais de quatro anos! E ainda sentimos carinho. – Você foi a melhor amiga que eu tive – me disse com a voz calma. A gente se divertiu muito não é? Beijou na boca, ficou louca, se esbaldou! E agora, ambos casados, muito bem engalfinhados em nossas próprias casas, procurando uma saída tranqüila e uma vida verdadeira enquanto estamos por aqui.
É um dia de luz quando encontro vocês. São muitos e cada um é tão especial. Cada um com sua capacidade de perfumar, clarear, limpar a minha mente a seu jeito. Se for para confiar na minha intuição, relembro a passagem do ano. Eu desejei. – Esse é o ano dos amigos! Tudo de bom pra eles será tudo de bom pra mim! – Me desvio do primeiro plano. Não é lá que quero estar agora. Deixo pra eles.
E hoje é isso. Essa nuvem espalhada pela cidade. Não sei se chove, se fica assim ou se abre o Sol. Ainda posso encontrá-los. Provavelmente vou! Respiro, desejo uma coisa boa e sigo, mesmo sem enxergar o que tem além da neblina.

Serra de Coroico - Bolívia
Foto: Vinicius Morende
Sei lá, também tudo bem. Ontem foi ótimo. Encontrei um e outro e eles me vieram com palavras tão carinhosas. Estamos ficando velhos. Velhos não, mas menos novos. Mas a pele ainda é boa e o corpo ainda tem forma gostosa. Velhos por que escutamos Acabou Chorare e novos porque ainda não somos Baianos! Fazia tempo que não os via. Um fazia mais de quatro anos! E ainda sentimos carinho. – Você foi a melhor amiga que eu tive – me disse com a voz calma. A gente se divertiu muito não é? Beijou na boca, ficou louca, se esbaldou! E agora, ambos casados, muito bem engalfinhados em nossas próprias casas, procurando uma saída tranqüila e uma vida verdadeira enquanto estamos por aqui.
É um dia de luz quando encontro vocês. São muitos e cada um é tão especial. Cada um com sua capacidade de perfumar, clarear, limpar a minha mente a seu jeito. Se for para confiar na minha intuição, relembro a passagem do ano. Eu desejei. – Esse é o ano dos amigos! Tudo de bom pra eles será tudo de bom pra mim! – Me desvio do primeiro plano. Não é lá que quero estar agora. Deixo pra eles.
E hoje é isso. Essa nuvem espalhada pela cidade. Não sei se chove, se fica assim ou se abre o Sol. Ainda posso encontrá-los. Provavelmente vou! Respiro, desejo uma coisa boa e sigo, mesmo sem enxergar o que tem além da neblina.

Serra de Coroico - Bolívia
Foto: Vinicius Morende
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